O inspetor-chefe Gonzalo Fraga, da Unidade de Assuntos Internos, testemunhou por sete horas na Audiência Nacional sobre o caso Kitchen, detalhando provas contra dez réus no espionagem de Luis Bárcenas utilizando fundos reservados. Ele citou de memória datas, números de relatórios e conteúdos de agendas e gravações de José Manuel Villarejo. Seu depoimento implica a antiga cúpula do Ministério do Interior e da Polícia sob o governo de Mariano Rajoy.
O inspetor-chefe Gonzalo Fraga testemunhou na segunda-feira na Audiência Nacional, tribunal próximo à rua Génova em Madri, por quase sete horas. Ele listou as provas contra os réus do caso Kitchen, uma operação para vigiar e roubar documentos de Luis Bárcenas que poderiam comprometer o PP no caso Gürtel. Entre os acusados estão ex-altos funcionários como Francisco Martínez, Eugenio Pino e Jorge Fernández Díaz, que esteve ausente.
Fraga, conhecido por sua meticulosidade, recitou placas de veículos, datas de anotações na agenda de Villarejo e textos de gravações de memória. Ele detalhou o recrutamento do motorista de Bárcenas, Sergio Ríos, como informante, com pagamentos mensais de 2.000 euros provenientes de fundos reservados e a entrega de uma pistola Glock. Também foram mencionadas as vigilâncias da família Bárcenas pela Unidade de Assuntos Internos e o monitoramento prisional.
"Eu não costumo entrar em considerações subjetivas", disse Fraga, justificando seu estilo factual. Ele identificou Mariano Rajoy como 'El Asturiano' ou 'El Barbas' em referências do complô. Em áudios, Villarejo menciona a remoção de papéis que comprometiam o presidente.
O depoimento continua nesta terça-feira. Fraga implicou a coordenação no Ministério do Interior: "Foi uma operação absolutamente coordenada dentro do ministério". Os acusados incluem Andrés Gómez Gordo e outros ex-membros da brigada política.