No julgamento da Operação Kitchen, em curso na Audiência Nacional da Espanha, o inspetor aposentado Jesús Vicente Galán contradisse declarações anteriores, alegando ter recebido ordens do comissário Marcelino Martín-Blas para "proteger" secretamente a esposa de Luis Bárcenas, Rosalía Iglesias. O inspetor Gonzalo Fraga concluiu seu depoimento de 12 horas detalhando o esforço de José Manuel Villarejo para obter gravações comprometedoras de Mariano Rajoy. O depoimento segue a recapitulação das provas apresentadas na segunda-feira sobre a espionagem contra a família Bárcenas.
Dando continuidade à cobertura do julgamento da Operação Kitchen — veja artigos anteriores sobre o início do julgamento e o depoimento do inspetor Fraga na segunda-feira —, a Audiência Nacional ouviu novos desdobramentos na terça-feira.
O inspetor-chefe aposentado Jesús Vicente Galán, inicialmente denunciado, mas posteriormente absolvido, testemunhou que Marcelino Martín-Blas, ex-chefe de Assuntos Internos sob o governo de Mariano Rajoy, ordenou que ele monitorasse Rosalía Iglesias quando Bárcenas entrou na prisão. "Marcelino me disse que Rosalía Iglesias estava em perigo e que tínhamos que dar a ela proteção sem sermos detectados", afirmou Galán, revertendo suas negativas anteriores. Seus subordinados ficaram surpresos, e a vigilância durou de uma a duas semanas até que avistaram outros policiais. Isso se alinha a depoimentos anteriores sobre cerca de 70 agentes da Área de Vigilância Especial monitorando a família Bárcenas 24 horas por dia durante meses.
Fraga, complementando seu depoimento de segunda-feira, detalhou, ao longo de 12 horas no total, como Villarejo incumbiu o motorista de Bárcenas, Sergio Ríos, de obter "gravações comprometedoras" de Rajoy e Javier Arenas. Citando uma gravação: "Aquele tipo de conversas naquele pendrive... É algo que de alguma forma tem que ser encontrado, cara." Fraga também vinculou altos funcionários como Eugenio Pino e Francisco Martínez a esforços para bloquear informações sobre o caixa dois do PP na investigação do caso Gürtel.
As defesas questionaram a credibilidade das testemunhas, enquanto o depoimento de Ignacio Cosidó foi adiado para quarta-feira.