O comissário aposentado Manuel Vázquez, ex-chefe da UDEF, testemunhou nesta terça-feira na Audiência Nacional que não foi informado sobre a espionagem da operação Kitchen contra Luis Bárcenas durante a investigação do caso Gürtel. Ele negou ter pressionado o inspetor Manuel Morocho para alterar relatórios sobre os papéis de Bárcenas. Seu depoimento reforça a visão da promotoria de que a Kitchen foi uma operação paralela.
Manuel Vázquez, chefe da Unidade de Delinquência Econômica e Fiscal (UDEF) entre 2013 e 2015, testemunhou nesta terça-feira como testemunha no julgamento da operação Kitchen, na Audiência Nacional. Ele declarou que ninguém o informou sobre vigilâncias a Bárcenas, sua esposa Rosalía Iglesias ou o informante Sergio Ríos, apesar de a UDEF estar investigando o caso Gürtel sob o comando do juiz Pablo Ruz.
O promotor César de Rivas, da Promotoria Anticorrupção, perguntou se foi solicitado apoio para o caso Gürtel ou se a Direção Adjunta Operacional notificou algo. Vázquez respondeu não a ambas as perguntas. Ele observou que a UDEF possuía sua própria seção de vigilância e que apenas uma vez ouviu falar de uma 'operação de inteligência' sem detalhes. O comissário Juan Antonio González confirmou que existiam unidades de apoio na Comissaria Geral de Polícia Judiciária.
Sobre as pressões alegadas pelo inspetor Manuel Morocho, que acusou a cadeia de comando — incluindo Vázquez — de instigá-lo a remover o nome de Mariano Rajoy de um relatório sobre os papéis de Bárcenas, a testemunha atribuiu o fato a uma 'autopressão' devido às críticas da mídia. Ele comparou 'M. Rajoy' a 'K. Mbappé nas contas do Real Madrid' e negou ter ocultado informações.
O notário Alberto Vela testemunhou sobre mensagens SMS apresentadas por Francisco Martínez, supostamente enviadas por Jorge Fernández Díaz mencionando o motorista de Bárcenas em 13 de julho de 2013. A defesa de Fernández Díaz questionou a autenticidade, mas Vela confirmou que o telefone correspondia ao registrado.