O juiz de Vigilância Penitenciária da Audiência Nacional, José Luis Castro, concedeu na sexta-feira a liberdade condicional a Pablo Crespo, número dois da trama Gürtel, após mais de 12 anos de prisão. Crespo, ex-secretário de Organização do PP galego, cumpriu dois terços da sua pena. A decisão considera o seu baixo risco de reincidência e o apoio familiar.
O juiz José Luis Castro, da Audiência Nacional, emitiu uma ordem na sexta-feira concedendo a liberdade condicional antecipada a Pablo Crespo Sabaris, considerado o número dois da trama de corrupção Gürtel e ex-número três do PP galego. Crespo entrou em prisão preventiva em 2009, permanecendo lá por três anos até ser solto sob fiança em 2012. Ele retornou à prisão em fevereiro de 2017 e foi solto em 2023, passando os últimos três anos em semiliberdade com tornozeleira eletrônica. Ele cumpriu mais de dois terços da sua pena, com um limite máximo de 18 anos.
Na resolução, o magistrado destaca o "baixo risco de reincidência", a antiguidade dos atos criminosos — a trama foi desmantelada em fevereiro de 2009 —, a "conduta normalizada" durante a pena, o bom aproveitamento do regime aberto, um emprego em um escritório de advocacia de Madri, o pagamento da responsabilidade civil e o "apoio familiar sólido e positivo". O Ministério Público expressou concordância com a medida, que será executada nos próximos dias caso não haja recurso.
Crespo deve seguir regras de conduta até dezembro de 2031, como fixar residência, notificar mudanças, submeter-se ao acompanhamento dos serviços sociais, manter o emprego e continuar com os pagamentos da responsabilidade civil. Em tribunal, ele reconheceu ser "o máximo responsável, junto com Correa" por crimes que vão desde propinas em obras públicas até fraude fiscal. Após confessar o seu papel, ele declarou: "Agora sou um pária social".
Com esta soltura, apenas Francisco Correa permanece preso entre os principais líderes, em semiliberdade telemática. Crespo participou do Programa de Intervenção em Crimes Econômicos (Pideco). Em uma entrevista de dezembro de 2024, ele expressou arrependimento: "Não é fácil reconhecer que se cometeu um crime simplesmente por ambição".