Ministros do governo Lula, como Fernando Haddad e Luiz Marinho, estão preocupados com os incentivos fiscais concedidos à montagem de carros elétricos em uma fábrica visitada pelo presidente e Geraldo Alckmin no Ceará. Eles veem a medida como uma renúncia de receitas em um orçamento apertado, sem expansão significativa da indústria nacional. Críticos argumentam que o investimento não gera empregos suficientes para justificar o benefício público.
Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin visitaram uma fábrica no Ceará dedicada à montagem de carros elétricos, que recebe incentivos fiscais do governo. No entanto, essa decisão tem gerado desconforto entre alguns ministros petistas da Esplanada dos Ministérios. De acordo com interlocutores que conversaram com eles sobre o assunto, Fernando Haddad, da Fazenda, e Luiz Marinho, do Trabalho e Emprego, ficam “de cabelos em pé” com o modelo de incentivos adotado.
Para a equipe da Fazenda, trata-se de mais uma renúncia de receitas que exige compensação em um cenário orçamentário já bastante restrito. Os críticos apontam que o empreendimento não promove a expansão da indústria automotiva nacional, o que limitaria a geração de empregos. Em vez de fomentar um crescimento amplo, o investimento beneficiaria apenas a montagem local sem impactos mais profundos na cadeia produtiva.
Essa tensão interna reflete debates mais amplos sobre política fiscal no setor automotivo. Enquanto o governo busca atrair investimentos em veículos elétricos, vozes internas questionam se os benefícios públicos são proporcionais aos retornos esperados em termos de desenvolvimento econômico e criação de vagas de trabalho. A visita de Lula e Alckmin ao local destacou o apoio oficial à iniciativa, mas expôs divisões no alto escalão do Executivo.