Um homem em Portugal encontrou o passaporte antigo de Eliza Samudio, assassinada em 2010, e optou por contatar a imprensa antes de entregá-lo às autoridades. Ele justificou a decisão alegando que queria garantir que o Brasil soubesse da descoberta. O documento agora segue para o Brasil, à disposição da família.
O passaporte de Eliza Samudio, modelo assassinada em 2010, foi encontrado recentemente em uma estante de um apartamento em Portugal, onde um homem aluga um quarto. O documento, emitido em 9 de maio de 2006 e válido até 8 de maio de 2011, tem apenas um carimbo de entrada no país em 1º de maio de 2007. O homem, que não se identificou, relatou ao programa Domingo Espetacular que descobriu o passaporte por curiosidade, ao pegar uma roupa no varal e notar livros na estante. 'Quando eu fui tomar banho, fui pegar uma roupa no varal e vi ali uns livros. Por curiosidade, fui ver um livro e vi o passaporte. Peguei, abri e já vi de quem se tratava', disse ele.
Em vez de entregar o documento diretamente à polícia, o homem buscou primeiro veículos de imprensa em Portugal, sem sucesso, e depois no Brasil. 'Eu tentei com os veículos aqui de Portugal primeiro. A minha intenção sempre foi entregar à polícia. Só que se eu entrego esse documento aqui para a polícia diretamente, vocês no Brasil não iam saber… Ninguém', explicou. Ele admitiu especular sobre a possibilidade de Eliza estar viva devido à ausência de corpo, mas enfatizou que era mera conjectura: 'Eu fiquei questionando sobre o passaporte, passa na cabeça que sim, mas é só especulação mesmo pelo fato de não ter corpo'.
Após repercussão, o passaporte foi entregue ao consulado brasileiro em Lisboa, sem nome ou endereço do doador, em agendamento prévio. O Itamaraty informou que o documento será enviado ao Brasil para a família. Maria do Carmo dos Santos, advogada da família e madrinha de Bruninho, filho de Eliza, questionou a preservação do passaporte: 'O passaporte, vamos supor que foi perdido, quase 18 anos atrás, ele está mais preservado do que os meus que estão na gaveta mofando… Isso é estranho'. Ela criticou a reabertura de especulações: 'Cada vez que isso é mexido e é colocado dúvidas de que foi um golpe da Eliza e etc, é de uma covardia com a mãe e com a vítima'.
Eliza Samudio foi assassinada em 2010 pelo goleiro Bruno Fernandes, condenado a 22 anos de prisão por homicídio qualificado, sequestro e ocultação de cadáver, pena reduzida para 20 anos e 9 meses. Ela conheceu Bruno em um churrasco em maio de 2009 e engravidou dele. O crime envolveu Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, como executor. O corpo nunca foi achado, e em 2013 Eliza recebeu certidão de óbito por asfixia mecânica com violência.