Nelson Rodrigues Filho, conhecido como Nelsinho, faleceu aos 80 anos no Rio de Janeiro devido a pneumonia e infecção urinária, agravadas por sequelas de um AVC. Engenheiro e jornalista, ele dedicou-se a preservar e adaptar as obras do pai, o dramaturgo Nelson Rodrigues, e marcou a cultura brasileira com iniciativas teatrais e carnavalescas.
Nelson Rodrigues Filho, ou Nelsinho, nasceu em 1945 no Rio de Janeiro e construiu uma trajetória própria apesar do peso do sobrenome famoso. Formado em engenharia e jornalismo, ele atuou como diretor teatral, roteirista e produtor cultural, tornando-se o principal guardião das obras do pai após a morte deste em 1980. Entre as adaptações, destacam-se "Bonitinha, Mas Ordinária" para o cinema e "A Vida Como Ela É" para a televisão.
Nelsinho envolveu-se na resistência à ditadura militar, participando do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). Foi preso em 29 de março de 1972, enquanto cursava engenharia, e sofreu torturas por três dias. Sua libertação ocorreu em 16 de outubro de 1979, após quase oito anos de detenção, influenciada pelo prestígio do pai junto aos militares. Inicialmente apoiador do regime, Nelson Rodrigues mudou de posição ao saber da tortura do filho, defendendo a anistia na imprensa e escrevendo ao presidente João Figueiredo.
Durante a prisão, Nelsinho deixou crescer a barba, que se tornou sua marca e inspirou projetos como o restaurante Barbas em Botafogo, um espaço cultural com debates, psicanálise e eventos políticos. Em 1985, fundou o bloco de Carnaval Barbas, visto como marco na revitalização do carnaval de rua na cidade.
Ele faleceu na madrugada de 25 de fevereiro de 2026, no Hospital Unimed Barra, internado desde a Quarta-Feira de Cinzas com pneumonia e infecção urinária, além de sequelas de um segundo AVC sofrido recentemente – o primeiro datava de 2015. Deixa a filha Cristiane Rodrigues. O velório ocorreu no salão nobre do Fluminense Football Club, e o enterro, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, ao lado do pai.
O Ministério da Cultura emitiu nota lamentando: "Sua partida representa uma perda significativa para o teatro brasileiro, para a produção cultural e para a história do Carnaval de rua do país".