Marjorie Taylor Greene, a congressista da Geórgia conhecida por seu apoio ferrenho a Donald Trump, passou por uma mudança significativa, rompendo com ele em questões como os arquivos de Epstein e renunciando ao Congresso. Em entrevistas exclusivas com o jornalista do New York Times Robert Draper, Greene revelou um ponto de virada influenciado por valores cristãos e desilusão com a retórica de Trump. Draper discutiu essas mudanças em uma entrevista recente na NPR.
Marjorie Taylor Greene, congressista republicana de três mandatos da Geórgia, tem sido há muito uma figura proeminente no movimento MAGA, ecoando o estilo combativo de Donald Trump por meio de ataques em redes sociais e vaias públicas. No entanto, desenvolvimentos recentes marcam uma evolução profunda em sua visão. No mês passado, ela anunciou sua renúncia ao Congresso, uma decisão ligada a divergências crescentes com Trump, incluindo sua hesitação em divulgar os arquivos de Epstein.
Um momento pivotal veio após o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk em 10 de setembro de 2025. Assistindo a um serviço memorial, Greene foi inspirada pelo discurso de Erika Kirk perdoando o assassino de seu marido. Em contraste, os comentários de Trump no evento —declarando: «Eu não perdoo meus inimigos. Eu odeio meus inimigos e só desejo o pior para eles»— pareceram-lhe anticristãos. Como Draper relatou à apresentadora da NPR Michel Martin, isso levou Greene a refletir: «Eu sou cristã, e quero ser muito mais como Erika Kirk».
Greene expressou desconforto com os votos de retaliação de Trump contra oponentes, insistindo que ele em vez disso «trabalharia pelo povo americano». Draper observou a habilidade de Trump em adaptar sua imagem às audiências, apresentando-se como campeão da classe trabalhadora para Greene. No entanto, seu apoio começou a se desgastar quando ela saiu de sua bolha de eco, parando de assistir à Fox News e recorrendo a veículos mainstream. Embora mantendo posições de extrema-direita sobre questões transgênero e imigração, ela questionou se seu partido priorizava necessidades domésticas.
Quando Greene expressou essas dúvidas, Trump retaliou, apelidando-a de «Marjorie Traitor Greene» e provocando ameaças de morte contra ela e seu filho. Apesar de enviar um e-mail à Casa Branca, suas preocupações foram ignoradas. Refletindo sobre isso, Greene reconheceu o padrão: «Este é Trump. É o que ele faz». Ela admitiu seu próprio papel passado na política tóxica, pedindo desculpas por assediar figuras como Alexandria Ocasio-Cortez, Nancy Pelosi e o ativista de controle de armas David Hogg —ações alimentadas por raiva pessoal ao entrar no Congresso.
O perfil de Draper na revista do New York Times destaca a autoconsciência de Greene e o remorso tentativo, sugerindo uma história de alerta mais ampla sobre lealdade na órbita de Trump.