Psol discute federação com PT em reunião neste sábado

A direção nacional do PSOL se reúne na manhã deste sábado para debater uma proposta de federação partidária com o PT, além da renovação da aliança com a Rede Sustentabilidade. A ideia de aliança com o PT gerou divisões internas, isolando o grupo liderado por Guilherme Boulos. Apesar da resistência, o partido planeja apoiar a reeleição de Lula.

A direção nacional do PSOL reúne-se na manhã deste sábado (7/3) para discutir uma proposta de federação partidária com o PT. A legenda também avaliará a manutenção da aliança com a Rede Sustentabilidade, formalizada em 2022. A possibilidade de um “casamento” com o PT provocou um racha interno, exposto nas redes sociais, e isolou a corrente liderada pelo ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, um dos principais defensores da federação.

Integrantes de diferentes tendências do PSOL mobilizaram-se contra a proposta nos últimos dias. Parte da tendência de Boulos, a Revolução Socialista, rompeu com o grupo, acusando o núcleo ligado ao ministro de centralizar decisões. Eles alegam que os movimentos de Boulos integram uma estratégia para projetá-lo como herdeiro político de Luiz Inácio Lula da Silva em 2030. Dirigentes preveem que a corrente de Boulos ficará isolada, refletindo uma nova correlação de forças no partido.

Defensores da federação argumentam que ela ajudaria o PSOL a superar a cláusula de barreira, que restringe acesso ao fundo partidário e tempo de propaganda eleitoral. Federações atuam conjuntamente por quatro anos, somando votos para essa regra. Em 2022, o PSOL federou-se com a Rede, arranjo agora em reavaliação.

O presidente do PT, Edinho Silva, defende a federação para fortalecer o campo contra a direita, mas a aliança não foi discutida internamente no PT, gerando críticas. Opositores no PSOL temem perda de autonomia, já que o partido surgiu de dissidentes petistas críticos à aproximação de Lula com centro-direita. A federação poderia atrapalhar estratégias eleitorais em 2024 e 2028.

O PSOL nasceu em 2004 de um racha no PT, após expulsões por voto contra a reforma da Previdência. Ganhou registro no TSE em 2005 e lançou candidaturas presidenciais próprias até 2018. Em 2022, integrou a aliança que elegeu Lula.

Neste sábado, um bloco majoritário apresentará resolução rejeitando a federação com o PT e defendendo a com a Rede, a ser conduzida pela executiva nacional. “A Primavera Socialista tem cerca de 25% do diretório, o Movimento de Esquerda Socialista cerca de 20% e o Fortalecer o PSOL aproximadamente 10%. Isso já seria suficiente para derrotar o Boulos. Além disso, a resolução terá a assinatura de mais sete organizações internas. A Revolução Socialista está isolada nesse tema”, afirmou um dirigente do PSOL.

Apesar da resistência, o apoio à reeleição de Lula deve ser unânime. A reunião também definirá um grupo para discutir prioridades em um eventual quarto mandato de Lula.

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