O ex-presidente Mariano Rajoy negou na última quinta-feira, no julgamento do caso Kitchen, ter enviado uma mensagem ao ex-tesoureiro do PP, Luis Bárcenas, dizendo "hacemos lo que podemos", apesar de tê-la reconhecido em 2017 durante o julgamento do caso Gürtel. Naquele depoimento, Rajoy afirmou que a mensagem não tinha significado. Essa contradição surge em meio às investigações sobre corrupção no Partido Popular.
Mariano Rajoy prestou depoimento na quinta-feira na Audiencia Nacional da Espanha durante o julgamento do caso Kitchen, sobre uma suposta operação parapolicial para minar a investigação da "caja B" (caixa dois) do PP. Ao ser questionado sobre mensagens trocadas com Luis Bárcenas em 2012 e 2013, Rajoy disse não se lembrar de algumas e negou veementemente ter enviado o SMS de 26 de fevereiro de 2012: "Luis, nada es fácil. Hacemos lo que podemos".
Por outro lado, em seu depoimento como testemunha no julgamento do caso Gürtel, em 26 de julho de 2017, Rajoy admitiu ter enviado essa mensagem. "No tiene ningún significado ninguno" (Não tem significado nenhum), declarou na época, acrescentando: "Hacemos lo que podemos significa exatamente o que significa fazemos o que podemos (...) Significa que não fizemos nada que pudesse prejudicar qualquer processo".
Rajoy recordou outra mensagem de 18 de janeiro de 2013: "Luis. Lo entiendo. Sé fuerte. Mañana te llamaré. Un abrazo". Ele atribuiu sua lembrança da mesma às frequentes publicações na mídia ao longo dos anos. Em 2017, sobre este SMS, ele disse: "A gente nem sempre acerta na vida (...) mas não fiz absolutamente nada".
No julgamento da "caja B" do PP em 2021, Rajoy lembrou apenas dessa última mensagem, estabelecendo um padrão de esquecimento que se repetiu esta semana. Os casos Gürtel e Kitchen tratam de suposta corrupção e redes de financiamento irregular no Partido Popular.