A Prefeitura de São Paulo demoliu o Teatro de Contêiner, ocupado pela Companhia Mugunzá desde 2016, no fim de semana de 21 e 22 de março. O grupo denuncia a ação sem comunicação prévia ou alvará, enquanto a gestão afirma cumprir decisão judicial após negociações infrutíferas.
O Teatro de Contêiner, localizado na rua dos Gusmões, no centro de São Paulo, foi desmontado por equipes da prefeitura e do governo estadual. A demolição começou no sábado (21), com a remoção do telhado, e foi concluída no domingo (22), com os materiais levados para um terreno na avenida do Estado. O espaço havia sido lacrado em 15 de janeiro, impedindo o acesso da equipe aos equipamentos, conforme vídeo publicado pelo ator Marcos Felipe, que relatou surpresa com a situação. A companhia cultural, em redes sociais, acusou a gestão do prefeito Ricardo Nunes de ignorar o clamor da sociedade civil e de destruir um dos teatros mais importantes do país. Eles afirmam que houve demolição sem notificação prévia, sem alvará e sem identificação de responsável técnico, apesar de uma disputa judicial em andamento. A prefeitura informou que a operação ocorreu sem problemas e identificou irregularidades, como ligações clandestinas de energia e água, confirmadas por Enel e Sabesp em boletim no 3º Distrito Policial. A 5ª Vara da Fazenda Pública teria reconhecido o fim do prazo de permanência do grupo. A gestão Nunes destacou diálogo de um ano, repasse de R$ 2,5 milhões e ofertas de quatro terrenos alternativos, como na rua Helvétia, em Santa Cecília, aceita pela companhia há três meses sem retorno. A defesa do grupo nega responsabilidade pelas irregularidades e confia no Judiciário. O local será usado para empreendimento habitacional e espaço de lazer.