O prefeito Ricardo Nunes (MDB) publicou decreto em 13 de março remanejando R$ 51,9 milhões do orçamento de 2026, cortando subsídios a ônibus e programas para idosos para financiar obras viárias e a reforma do Autódromo de Interlagos. A oposição do PT critica os bloqueios, enquanto a prefeitura minimiza o impacto. Vereadores pediram explicações à Secretaria de Esportes.
Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo pelo MDB, formalizou em decreto publicado em 13 de março o remanejamento de R$ 51,9 milhões no orçamento municipal de 2026. Os recursos vieram principalmente de compensações tarifárias para o sistema de ônibus, totalizando R$ 43,5 milhões, além de verbas para pagamento de juros da dívida e cortes em outros programas, incluindo R$ 1 milhão da ação 'Incentivo à Prática de Esportes para a Pessoa Idosa', com mais R$ 9 milhões congelados.
Os fundos foram direcionados a intervenções viárias, com R$ 39 milhões em obras e R$ 4,2 milhões em serviços, e R$ 7,1 milhões para requalificação do Autódromo de Interlagos. A medida ocorreu uma semana antes de a prefeitura ceder o autódromo gratuitamente para o festival Lollapalooza no fim de semana anterior, diferentemente de 2025, quando arrecadou R$ 2,7 milhões.
A bancada do PT na Câmara Municipal apontou que, dos R$ 51 milhões previstos para políticas de idosos em 2026, R$ 49,8 milhões estão bloqueados, restando apenas R$ 275 mil disponíveis sem empenho. Em 25 de março, a Comissão de Finanças e Orçamento aprovou requerimento do vereador João Ananias (PT) solicitando cronograma, justificativa e impactos à Secretaria Municipal de Esportes e Lazer.
A prefeitura rebateu que o corte é 'residual' dentro de R$ 5,4 bilhões destinados a idosos em 2026, com realocação interna na Secretaria de Esportes. Afirmou tratar-se de procedimento 'legítimo e rotineiro' e destacou agenda social inédita para idosos, com R$ 23 bilhões previstos até 2029. O decreto, porém, indica uso dos recursos para crédito adicional em vias e autódromo, sem menção a realocação interna.