Associações de servidores da Bahia que teriam originado carteiras falsas de crédito consignado usavam o e-mail de uma empresa ligada a Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. A Polícia Federal usou essa ligação para reforçar suspeitas contra Lima nas fraudes de R$ 12,2 bilhões repassadas ao BRB. A defesa nega qualquer vínculo.
As associações Asteba (Associação dos Servidores Técnico-Administrativos e Afins do Estado da Bahia) e Asseba (Associação dos Servidores da Saúde e Afins da Administração Direta do Estado da Bahia) foram identificadas como responsáveis pelas carteiras falsas de crédito consignado de R$ 12,2 bilhões, repassadas pelo Banco Master ao BRB (Banco de Brasília).
De acordo com a Polícia Federal, essas entidades informaram à Receita Federal o telefone e o e-mail do grupo empresarial Terra Firme, de propriedade exclusiva de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. O e-mail 'contabilidade@grupoterrafirme.com.br' e o telefone compartilhado reforçaram as suspeitas de que Lima estava por trás das associações. "As associações Asteba e Asseba informaram à Receita Federal, como e-mail de contato, o endereço eletrônico 'contabilidade@grupoterrafirme.com.br', que é o mesmo endereço de correio eletrônico da empresa Terra Firme da Bahia Ltda [...], de propriedade exclusiva de Augusto Lima. A Asseba e a Terra Firme ainda compartilham o mesmo telefone de contato, perante a Receita Federal", diz a representação da PF.
A empresa Terra Firme dá nome ao Instituto Terra Firme, presidido pela esposa de Lima, a ex-deputada federal e ex-ministra Flávia Peres, de Jair Bolsonaro (PL). A ONG afirma que "o objeto social e as ações do grupo e do instituto são totalmente diferentes".
O advogado Pedro Ivo Velloso, da defesa de Lima, declarou que "a apuração demonstrará a absoluta inexistência de vínculo entre Augusto Lima e as operações objeto da investigação". A defesa destaca que Lima se desligou do Master, tem histórico ilibado e agiu com legalidade.
As associações foram alvos de busca e apreensão na Operação Complience Zero, que prendeu Lima e Vorcaro em 18 de novembro de 2025. O Ministério Público Federal identificou que descontos nos contracheques estaduais eram de baixo valor para mensalidades e serviços associativos, impossibilitando gerar R$ 6,7 bilhões em empréstimos, além de R$ 5,5 bilhões em prêmios e bônus.