A África do Sul divergiu de seus aliados dos BRICS ao votar a favor de uma resolução da Assembleia Geral da ONU em 3 de dezembro de 2025, exigindo que a Rússia devolva milhares de crianças ucranianas sequestradas durante a guerra. A resolução foi aprovada com 91 votos a favor, em meio a uma ampla preocupação internacional com violações dos direitos das crianças. Representantes ucranianos na África do Sul expressaram profunda gratidão pela decisão.
Em 3 de dezembro de 2025, a Assembleia Geral da ONU adotou a resolução 'Retorno das Crianças Ucranianas', apresentada pela Ucrânia, Canadá e União Europeia. Ela recebeu 91 votos a favor, 12 contra e 57 abstenções, exigindo que a Rússia garanta o retorno imediato, seguro e incondicional de todas as crianças ucranianas transferidas ou deportadas à força para a Rússia. A medida também instou o fim de mais deportações, separações familiares, alterações no status pessoal das crianças e sua doutrinação.
A embaixadora da África do Sul na ONU, Mathu Joyini, explicou o voto enfatizando o respeito ao direito internacional. 'O voto da África do Sul hoje reflete a importância de respeitar o direito internacional, e que as crianças nunca devem ser alvos de violações tanto do direito internacional dos direitos humanos quanto do direito internacional humanitário', declarou ela. Ao contrário de seus parceiros dos BRICS — Rússia e Irã votaram contra, enquanto os outros se abstiveram —, a África do Sul juntou-se às nações ocidentais em apoio à resolução, rompendo com suas abstenções habituais em medidas críticas à Rússia.
Essa posição alinha-se aos esforços anteriores da África do Sul. Em junho de 2023, o presidente Cyril Ramaphosa apelou diretamente a Vladimir Putin durante uma Missão de Paz Africana. Em abril de 2025, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky forneceu a Ramaphosa uma lista de 400 crianças sequestradas, solicitando assistência para seu retorno. Joyini observou a colaboração em curso com Canadá, Catar e Santa Sé para proteger e repatriar as crianças, sublinhando que 'os direitos das crianças não devem se tornar uma ferramenta de barganha em qualquer conflito'.
A resolução destaca violações das Convenções de Genebra e invoca a Convenção sobre os Direitos da Criança. Ela encarrega o secretário-geral da ONU, António Guterres, de se envolver com a Rússia. O representante da Ucrânia enfatizou: 'Esta resolução não é sobre política; [é] sobre humanidade', enquanto denunciava as crianças como 'troféus de guerra'. O delegado russo rejeitou as alegações como uma 'mentira particularmente cínica'.
Kateryna Aloshyna, da Associação Ucraniana da África do Sul, elogiou o voto como evidência da liderança sul-africana nos direitos das crianças, notando amplo apoio doméstico de ONGs e do arcebispo Thabo Makgoba. A ONG Bring Kids Back UA relata 19.546 crianças sequestradas, com apenas 1.876 devolvidas.