Numa análise publicada em La República, Ramiro Santa reflete sobre a complexa relação histórica entre Espanha e América, para além de narrativas de culpa ou heroísmo.
Ramiro Santa, no seu artigo «O Amálgama Simbiótico» publicado a 18 de janeiro de 2026 em La República, critica os discursos contemporâneos que transformam a história num tribunal moral carregado de ódio e culpa, útil para recrutar seguidores políticos. Em vez disso, propõe analisar o ADN hispano-americano como um encontro de imensa complexidade após 1492, que integrou o mundo conhecido e gerou um mestizaje cultural sem precedentes. Santa destaca as contribuições hispânicas como a língua castelhana, a imprensa, a escrita alfabética e as tradições jurídicas, juntamente com a fundação precoce de universidades em Santo Domingo, Lima e México, que introduziram o pensamento clássico. O catolicismo, com as suas luzes e sombras, substituiu práticas ancestrais como os sacrifícios humanos e promoveu novas visões da vida social e dos papéis das mulheres, entrelaçando-se com tradições locais em expressões culturais únicas. Na alimentação, a América contribuiu com tomate, cacau, batata, milho e mais, transformando as cozinhas globais, enquanto Espanha introduziu café, trigo e gado, criando tradições mestizas. O castelhano enriqueceu-se na Hispano-América, dando voz a literatos como Inca Garcilaso de la Vega, Sor Juana Inés de la Cruz, Rubén Darío e Gabriel García Márquez. Insistir numa narrativa de ódio empobrece esta história partilhada, argumenta Santa; reconhecer a simbiose é um ato de lucidez que celebra uma civilização complexa e extraordinária.