O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (12) uma tarifa de 25% sobre transações comerciais com países que fazem negócios com o Irã, medida que entra em vigor imediatamente e afeta o Brasil, principal exportador de produtos agrícolas para Teerã. A decisão ocorre em meio a protestos violentos no Irã, com 648 mortes registradas desde 28 de dezembro, e intensifica as tensões geopolíticas. O governo brasileiro aguarda detalhes da ordem executiva para se posicionar.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, publicou em sua rede social Truth Social na noite de 12 de janeiro de 2026 que qualquer país que realize negócios com a República Islâmica do Irã enfrentará uma tarifa de 25% sobre todas as transações comerciais com os EUA. 'Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre qualquer e todo negócio realizado com os Estados Unidos da América. Esta ordem é final e definitiva', escreveu Trump, sem fornecer detalhes sobre critérios de aplicação ou data exata de vigência. A Casa Branca ainda não emitiu um anúncio oficial.
A medida pode impactar significativamente o Brasil, que exportou US$ 2,9 bilhões para o Irã em 2025, representando 0,8% de suas exportações totais de US$ 349 bilhões. Os principais produtos incluem milho (US$ 1,9 bilhão), soja (US$ 563 milhões) e açúcares (US$ 189 milhões), todos do agronegócio. Em contrapartida, o Brasil importou US$ 84 milhões do Irã, principalmente adubos e fertilizantes. O comércio bilateral tem sido instável: em 2022, as exportações brasileiras atingiram pico de US$ 4,2 bilhões, mas caíram para US$ 2,9 bilhões em 2025.
O anúncio surge no contexto de protestos no Irã iniciados em 28 de dezembro de 2025 contra a crise inflacionária e o regime teocrático, reprimidos com violência pelas forças de segurança. A organização Iran Human Rights, sediada na Noruega, registra pelo menos 648 mortes. O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, acusou os manifestantes de serem 'mercenários a serviço de estrangeiros', referindo-se a Trump, cujas mãos estariam 'manchadas com o sangue de mais de mil iranianos' devido a bombardeios anteriores. Trump, por sua vez, declarou no sábado (10) que os iranianos 'procuram a liberdade como nunca antes' e que os EUA estão 'prontos para ajudar', sugerindo contatos com a oposição e possível intervenção.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou em discurso a embaixadores em Teerã que o país 'não busca a guerra, mas está totalmente preparado para ela', mas está aberto a 'negociações justas, com igualdade de direitos e baseadas no respeito mútuo'. Essa retórica ocorre uma semana após uma operação militar dos EUA na Venezuela em 3 de janeiro, que resultou na captura de Nicolás Maduro e 100 mortes, incluindo 30 militares cubanos.
O governo brasileiro, consultado, informou que aguarda a publicação da ordem executiva americana para se manifestar. A balança comercial do Brasil fechou 2025 com superávit de US$ 68,3 bilhões, 7,9% menor que em 2024, em parte devido a tarifas impostas por Trump, com os EUA comprando 6,6% menos produtos brasileiros.