Após aprovação do Senado mexicano de tarifas sobre importações asiáticas, o Brasil expressou preocupações sobre possíveis interrupções no comércio bilateral fora do setor automotivo protegido, instando ao diálogo para proteger exportações e investimentos.
O Senado do México aprovou recentemente a reforma tarifária da presidente Claudia Sheinbaum, no âmbito da Lei de Impostos Gerais sobre Importações e Exportações (LIGIE), impondo taxas de 5 a 50 por cento sobre cerca de 1.463 produtos da China, Coreia do Sul, Índia, Vietnã e Tailândia — países sem acordos de livre-comércio com o México. Setores-chave afetados incluem têxteis (706 frações), ferro e aço (249), automóveis e peças (94, embora isentos para o Brasil via ACE-55) e plásticos (81), abrangendo US$ 52 bilhões em importações (8,6% do total).
A política visa proteger mais de 320 mil empregos em estados como Nuevo León e Jalisco, além de incentivar a relocalização industrial. As modificações afetam 316 itens anteriormente isentos de impostos, sendo 341 a 35% e 302 a 10%.
O Brasil, não diretamente visado mas atento a efeitos colaterais, destacou riscos para o seu comércio em expansão com o México. O governo do presidente Lula da Silva nota a isenção automotiva, mas receia erosão mais ampla de preferências. Autoridades estão a analisar o texto final da lei, a dialogar com contrapartes mexicanas para maior previsibilidade e a enfatizar a integração latino-americana.
Vozes da oposição, como a do deputado Miguel Márquez do PAN, defendem uma reindustrialização abrangente para além das tarifas. Os consumidores podem enfrentar preços mais elevados em plataformas de e-commerce como Shein e Temu.