Um depoimento de testemunha submetido ao FBI alega que intermediários ligados ao Catar disseram ao promotor do Tribunal Penal Internacional (TPI), Karim Khan, que iriam "cuidar" dele caso ele seguisse em frente com os mandados de prisão relacionados ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. A alegação, reportada pelo The Wall Street Journal, é contestada pelos advogados de Khan e pelo Catar, que rejeitaram qualquer sugestão de contato ou influência indevida.
Um depoimento de testemunha submetido ao FBI alega que pessoas descritas como agindo em nome do Catar tentaram tranquilizar o promotor-chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI), Karim Khan, enquanto ele avaliava se deveria buscar mandados de prisão relacionados ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de acordo com reportagem do The Wall Street Journal.
O Journal informou que investigadores analisaram gravações de áudio nas quais Khan é citado dizendo:
“Quero emitir o mandado, mas estou apavorado em fazê-lo.”
No mesmo relato, uma voz descrita como ligada ao Estado do Catar supostamente respondeu:
“Se você fizer isso, nós cuidaremos de você.”
O Journal também reportou que as pessoas envolvidas nas trocas usaram linguagem codificada sobre seu empregador — referindo-se a um “país cliente” ou “país Q” — com uma pessoa esclarecendo: “Não, é o Estado.”
Khan enfrentou um escrutínio separado devido a alegações de má conduta sexual feitas por um subordinado. Em maio de 2025, o TPI informou que Khan entraria em licença enquanto aguarda uma investigação liderada pelas Nações Unidas sobre as alegações, as quais ele negou.
A equipe jurídica de Khan rejeitou o relato do Journal sobre a alegação do Catar, dizendo que ele não discutiu nenhuma decisão sobre mandados com autoridades catarianas antecipadamente e contestando a sugestão de que qualquer promessa de proteção foi oferecida ou solicitada. O Catar também descartou a alegação.
Separadamente, uma operação de inteligência privada ligada ao Catar visou a mulher que acusou Khan de má conduta, de acordo com uma investigação do The Guardian publicada em novembro de 2025. O The Guardian reportou que as firmas Highgate e Elicius Intelligence, sediadas em Londres, coletaram informações pessoais sensíveis sobre a acusadora e buscaram material que pudesse vinculá-la a Israel ou à inteligência israelense — um esforço que o jornal afirmou não ter produzido evidências de tais vínculos. O The Guardian reportou que os envolvidos descreveram o cliente em termos codificados como “país Q”, e que o Catar posteriormente emitiu uma declaração descartando “alegações infundadas” relacionadas ao caso.
A reportagem do The Guardian disse que a operação também buscou informações sobre outros funcionários do TPI envolvidos na resposta do tribunal à queixa, e levantou questões sobre se pessoas próximas a Khan tiveram contato com as firmas, embora o The Guardian tenha dito que não viu evidências de que o próprio Khan tenha dirigido a operação. A Highgate confirmou ao The Guardian que trabalhou em um projeto relacionado ao TPI, mas negou agir contra qualquer indivíduo e negou ter sido comissionada pelo Catar.
O órgão de supervisão do TPI, a Assembleia dos Estados Partes, tem considerado como proceder após o trabalho de apuração do órgão fiscalizador da ONU e as avaliações jurídicas subsequentes referenciadas em reportagens da mídia, com o processo sendo descrito pela liderança da Assembleia como contínuo e confidencial.