Astrônomos observaram o brilho mais intenso já registrado de um buraco negro supermassivo, causado por ele rasgando uma estrela massiva em uma galáxia distante. Este evento de disrupção de maré, apelidado de Superman, originou-se a quase 20 bilhões de anos-luz de distância e iluminou seu núcleo galáctico ativo em mais de 40 vezes. A descoberta, confirmada em 2023, lança luz sobre os ambientes dinâmicos ao redor de tais buracos negros.
O brilho, detectado de um núcleo galáctico ativo (AGN)—um buraco negro supermassivo consumindo ativamente matéria—foi avistado pela primeira vez em 2018. Inicialmente, os astrônomos assumiram que vinha de uma galáxia relativamente próxima devido à falta de medições de distância. No entanto, observações de acompanhamento em 2023 revelaram sua verdadeira remotidão, tornando-o um dos eventos de disrupção de maré (TDE) mais distantes já detectados.
Este evento intensificou o brilho do AGN em mais de um fator de 40, tornando-o 30 vezes mais poderoso que o brilho mais forte anterior de um AGN. Pesquisadores, liderados por Matthew Graham no California Institute of Technology, determinaram que a causa era uma estrela massiva—pelo menos 30 vezes a massa do sol, possivelmente muito maior—sendo rasgada pela gravidade do buraco negro.
"Sabemos o que são os AGN há cerca de 60 anos, e sabíamos que eles eram muito variáveis, mas não entendíamos a variabilidade", diz Graham. "Agora temos milhões de AGN e ainda não entendemos a variabilidade."
O incidente apoia a existência de estrelas enormes no disco de acreção denso ao redor de buracos negros supermassivos ativos, um ambiente há muito suspeito, mas nunca observado diretamente. "Se nossa interpretação estiver correta de que isso é um TDE, então está provando a existência dessas estrelas massivas nesse ambiente, o que suspeitávamos", acrescenta Graham. Ele descreve a região como "um ambiente muito mais vibrante e dinâmico" do que se pensava anteriormente, desafiando visões anteriores de discos de gás estáveis.
Estudar o brilho que está desvanecendo, que continua a emitir energia, pode refinar modelos para TDE em AGN e ajudar a distingui-los da variabilidade rotineira. "É realmente ótimo ter algo que não seja ambíguo dessa forma", diz Vivienne Baldassare na Washington State University. "Isso será realmente importante para tentar encontrar TDE futuros e desvendar diferentes fontes de variabilidade em AGN."
As descobertas aparecem em The Astrophysical Journal Letters (DOI: 10.3847/2041-8213/ae0b5e).