O Banco do Brasil divulgou uma queda de 45,4% no lucro líquido ajustado em 2025, totalizando R$ 20,7 bilhões, impactado por novas regras contábeis e aumento da inadimplência. No quarto trimestre, o lucro foi de R$ 5,7 bilhões, com recuo anual de cerca de 45% a 47%. A instituição projeta recuperação para 2026, com lucro entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões.
O Banco do Brasil anunciou, em 11 de fevereiro de 2026, os resultados de 2025, que mostram uma queda de 45,4% no lucro líquido ajustado, para R$ 20,7 bilhões. O declínio foi atribuído principalmente à adoção de novas regras do Conselho Monetário Nacional (CMN), em vigor desde janeiro de 2024, que alteraram a contabilização de provisões para perdas esperadas, resultando em R$ 1 bilhão a menos em receitas de crédito reconhecidas. Além disso, a inadimplência acima de 90 dias subiu de 3,16% em dezembro de 2024 para 5,17% no fim de 2025, impulsionada pelo agronegócio (6,09%) e cartões de crédito.
No quarto trimestre de 2025, o lucro somou R$ 5,7 bilhões, com recuo de 47,2% em relação ao mesmo período de 2024, segundo o Metropoles, ou de 40% conforme a Folha de S.Paulo. Comparado ao terceiro trimestre de 2025, houve alta de 51,7%. As provisões para devedores duvidosos (PDD) totalizaram R$ 61,95 bilhões no ano, alta de 73,5%, com R$ 32,35 bilhões relacionados ao agronegócio.
Apesar dos desafios, a carteira de crédito ampliada cresceu 2,5% em 12 meses, encerrando em R$ 1,2 trilhão (Metropoles) ou R$ 1,3 trilhão (Folha), puxada por cartões de crédito (alta de 19,6%) e crédito consignado. As receitas de serviços caíram 1,9% para R$ 34,8 bilhões, enquanto despesas administrativas subiram 5,1% para o mesmo valor, devido a reajustes salariais e investimentos em tecnologia.
A presidente Tarciana Medeiros afirmou: "Conseguimos nos adaptar ao cenário com transparência e muita dedicação de nossos funcionários para que tenhamos um 2026 com retomada de patamares de rentabilidade do tamanho do BB." O analista Fernando Siqueira, da Eleven Financial, destacou a piora no crédito agrícola, mas notou estabilidade nas provisões no último trimestre.
Para 2026, o banco prevê expansão da carteira de crédito de 0,5% a 4,5%, com custo de crédito entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões, e crescimento nas receitas de serviços de 2% a 6%. Também anunciou distribuição de R$ 1,23 bilhão em juros sobre capital próprio (JCP).