O Banco de Brasília (BRB) estuda acessar linhas financeiras de liquidez (LFL) do Banco Central para enfrentar problemas de caixa decorrentes da crise com o Banco Master. Fontes anônimas indicam que o banco negocia a aceitação de suas carteiras de crédito como garantia, com potencial acesso a R$ 300 milhões. A medida surge em meio a perdas de R$ 12,2 bilhões em operações fraudulentas.
O BRB enfrenta uma crise de liquidez após descobrir que comprou R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito sem lastro do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. As perdas não foram totalmente cobertas pelos ativos transferidos, muitos de baixa qualidade, segundo fontes ouvidas pela Folha.
Para mitigar o problema, o banco estatal do Distrito Federal tem vendido carteiras de crédito a instituições privadas e mantém linhas abertas com bancos particulares. Agora, busca as LFL do Banco Central, empréstimos garantidos por ativos como títulos e, possivelmente, Cédulas de Crédito Bancário (CCB). Interlocutores afirmam que o regulador pode aceitar essas garantias, permitindo acesso gradual a até R$ 300 milhões a custo mais baixo.
Na segunda-feira (30), a governadora Celina Leão (PP), do DF, conversou por telefone com o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Ele descartou federalização do BRB, mas indicou que Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil podem adquirir ativos do banco.
O BRB precisa de capitalização, prometida pelo presidente até 30 de maio, antes do prazo do BC em 5 de agosto. Uma assembleia em 22 de abril votará aumento de capital de até R$ 8,817 bilhões, via subscrição privada de novas ações a R$ 5,36. O banco adiou a divulgação do balanço de 2025 e não comentou as negociações.