O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil expandiu 2,3% em 2025, abaixo dos 3,4% de 2024, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta terça-feira (3). A economia não cresceu no segundo semestre, com consumo das famílias estagnado e investimento produtivo em queda, mas gastos governamentais e exportações evitaram retração. A desaceleração resulta do aperto na política de juros para controlar a inflação.
Os dados do PIB para 2025, divulgados pelo IBGE em 3 de março de 2026, mostram uma expansão de 2,3%, inferior à de 3,4% registrada em 2024. No segundo semestre de 2025, a economia brasileira não registrou crescimento: o consumo das famílias permaneceu estagnado, enquanto o investimento produtivo caiu. Gastos do governo e exportações foram os fatores que evitaram uma retração geral.
O desempenho foi sustentado principalmente pela agropecuária e pela indústria extrativa, setores que representam menos de 11% do PIB, mas contribuíram com quase metade do crescimento anual. Essa sequência de surpresas positivas na atividade econômica, iniciada após a pandemia de Covid-19 e impulsionada por gastos públicos sob os governos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, foi interrompida.
O estímulo fiscal reduziu a credibilidade das contas públicas, elevou a inflação e levou o Banco Central a aumentar os juros para 15% ao ano. A gestão de Donald Trump nos Estados Unidos enfraqueceu o dólar, aliviando a pressão sobre os preços. Apesar disso, o crescimento de 2025 superou a média anual de 1,4% observada entre o fim da recessão de 2014-2016 e o início da pandemia.
Para 2026, a mediana das previsões de mercado compiladas pelo Banco Central é de 1,8%, enquanto o Ministério da Fazenda projeta 2,3%. A avaliação oficial prevê recuperação na produção industrial e investimentos, apoiada por redução de juros, incentivos ao setor industrial e construção civil, e corte no Imposto de Renda para a classe média. No entanto, incertezas incluem a sucessão presidencial, dúvidas sobre o plano fiscal e o possível impacto da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, que pode atrasar cortes na Selic. A próxima decisão do Banco Central sobre juros está marcada para 18 de março.
O PIB, calculado pelo IBGE pela ótica da oferta ou demanda, mede o valor adicionado à economia, excluindo insumos intermediários. Pela ótica da demanda, inclui consumo das famílias, do governo, investimentos (FBCF) e saldo de exportações e importações. Os dados trimestrais são divulgados cerca de 60 dias após o período, com revisões anuais definitivas dois anos depois.