Entre 2020 e 2026, Brasil, México e Chile registraram o maior número de demissões em startups regionais, particularmente no setor financeiro digital. A onda global de demissões tecnológicas atingiu o pico no primeiro trimestre de 2023, afetando mais de 160.000 trabalhadores no mundo. Na América Latina, fintechs e empresas de cripto foram as mais atingidas pelas mudanças nas condições de financiamento.
A onda global de demissões no setor de tecnologia, que atingiu o pico no primeiro trimestre de 2023 com mais de 160.000 demissões mundiais segundo dados da Layoffs, impactou significativamente a América Latina. O Brasil liderou os ajustes, com a Stone reportando 1.300 demissões, seguida por Pagbank e Oyo com 500 cada. Essas empresas, em sua maioria fintechs, foram afetadas pelo aumento dos custos de financiamento após as altas de juros nos EUA desde 2022. No México, os cortes focaram em serviços financeiros e cripto, com Konfio e Bitso registrando 180 demissões cada, e Kueski adicionando 90. Isso coincidiu com o 'inverno das criptomoedas' e o aperto monetário global, limitando o acesso ao capital. O Chile, com ecossistema menor, viu Cornershop no topo com 250 demissões em foodtech, seguido de startups de saúde como Examedi e Batterfly. Outros países também enfrentaram cortes: na Argentina, Lemon e Buenbit lideraram com 100 e 80 demissões ligadas a cripto respectivamente, enquanto Ualá adicionou 53; na Colômbia, Tul reportou 100 e Hunty 30. O contexto regional espelha o fim do boom digital pós-pandemia, impulsionado por juros baixos e abundante venture capital de 2020 a 2021. Com inflação e virada para lucratividade, startups não autossustentáveis enfrentaram desafios. Analistas veem essas demissões como fase de maturação do ecossistema tech da América Latina, não uma crise estrutural, pois o capital ficou mais exigente, mas não sumiu.