Pesquisadores da Georgia State University usaram edição genética CRISPR para restaurar uma enzima antiga chamada uricase em células hepáticas humanas, reduzindo significativamente os níveis de ácido úrico e interrompendo o acúmulo de gordura. Este avanço, detalhado em Scientific Reports, visa a gota e doenças metabólicas relacionadas decorrentes da perda do gene pelos humanos há milhões de anos. As descobertas sugerem terapias potenciais novas para condições como hipertensão e doença cardiovascular.
A gota, uma das doenças humanas documentadas mais antigas, surge quando cristais de ácido úrico se formam nas articulações, causando dor severa e inchaço como uma forma de artrite. Humanos e outros macacos perderam o gene uricase, que decompõe o ácido úrico, há cerca de 20 a 29 milhões de anos. Algumas pesquisas, incluindo o trabalho do Dr. Richard Johnson da University of Colorado citado em Seminars in Nephrology, propõem que o ácido úrico elevado ajudou primatas iniciais a converter açúcares de frutas em gordura para sobrevivência durante a escassez.
Em um estudo publicado em Scientific Reports, o professor de biologia da Georgia State University Eric Gaucher e a pesquisadora pós-doutoral Lais de Lima Balico usaram CRISPR-Cas9 para inserir uma versão reconstruída do gene uricase antigo em células hepáticas humanas. A enzima reduziu os níveis de ácido úrico de forma acentuada e impediu que as células hepáticas acumulassem gordura quando expostas à frutose. Testes adicionais em esferoides hepáticos 3D, que mimetizam a função do órgão, mostraram a uricase entrando em peroxissomos, o local natural de sua atividade, indicando potencial segurança em organismos.
"Ao reativar a uricase em células hepáticas humanas, reduzimos o ácido úrico e impedimos que as células transformassem frutose em excesso em triglicerídeos -- as gorduras que se acumulam no fígado," disse Gaucher. Ácido úrico alto, ou hiperuricemia, está ligado a problemas mais amplos: estudos na revista Hypertension o associam à hipertensão e riscos cardiovasculares comparáveis ao colesterol alto. Entre 25% e 50% das pessoas com pressão arterial alta têm ácido úrico elevado, subindo para 90% em casos recém-diagnosticados.
"A hiperuricemia é uma condição perigosa," acrescentou Gaucher. "Ao reduzir o ácido úrico, poderíamos potencialmente prevenir múltiplas doenças de uma só vez." Tratamentos atuais para gota falham em alguns pacientes ou causam reações a medicamentos de uricase. A abordagem CRISPR pode permitir vidas sem gota e prevenir doença hepática gordurosa por meio de métodos como injeções ou nanopartículas lipídicas, como em algumas vacinas contra COVID-19.
Próximos passos incluem estudos em animais e ensaios clínicos humanos, pendentes de resoluções de segurança. Gaucher observou desafios éticos à frente: "A edição de genoma ainda enfrenta preocupações substanciais de segurança. Uma vez resolvidas, a sociedade enfrentará discussões éticas controversas sobre quem deve e não deve ter acesso."