Índice de inclusão educacional revela falhas no ensino médio brasileiro

Um novo relatório mostra que apenas 15,5% dos jovens brasileiros concluíram o ensino médio na idade correta ou com um ano de atraso e com conhecimento mínimo em português e matemática em 2023. O Índice de Inclusão Educacional (IIE), divulgado em 30 de outubro, evidencia que a pandemia interrompeu uma tendência de melhora, sem recuperação posterior. Apesar do avanço no acesso à educação, a aprendizagem permanece defasada.

O Brasil ampliou o acesso à educação nas últimas décadas, mas o avanço na aprendizagem não acompanhou o ritmo, conforme avaliações nacionais e internacionais. O Índice de Inclusão Educacional (IIE), desenvolvido pela organização Metas Sociais a pedido do Instituto Natura, cruza dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), do Censo Escolar e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) para medir a distorção entre série e idade dos alunos, aliada ao nível de aprendizagem.

Divulgado em 30 de outubro de 2025, o IIE de 2023 registra apenas 15,5% dos jovens se formando no ensino médio aos 17 anos ou com um ano de atraso, demonstrando conhecimento mínimo desejável nas disciplinas de português e matemática. Isso significa que mais de 80% não concluem o ciclo na idade certa com proficiência adequada. A métrica, calculada a cada dois anos, subiu de 9,5% em 2015 para 13,5% em 2017 e 18,9% em 2019, mas caiu para 17% em 2021 devido à pandemia, sem recuperação até 2023.

Há grandes discrepâncias regionais entre os 26 estados e o Distrito Federal. Os piores desempenhos estão no Norte: Amapá com 5,6%, Amazonas e Roraima com 6,6% (empatados com o Maranhão) e Pará com 6,9%. No topo, destacam-se Paraná (20,4%), Espírito Santo (19,5%), Goiás (19%), São Paulo (18,6%) e Ceará (18,1%).

Baixos níveis de aprendizagem fomentam a distorção série-idade por meio de repetências, o que leva à evasão escolar, o principal problema do ensino médio. Esse ciclo de precariedade educacional dificulta a continuidade dos estudos, o acesso a empregos qualificados e remunerações melhores, limitando talentos individuais e o crescimento econômico do país.

Para reverter o quadro, é essencial intervir no ensino fundamental com aulas de reforço para alunos em defasagem. A expansão do modelo de ensino integral, que melhora os indicadores, deve ocorrer nas duas etapas da educação básica. A reforma do ensino médio, que aumenta a carga horária em disciplinas obrigatórias como português e matemática, adapta o currículo aos interesses dos alunos e inclui o ensino técnico, pode reduzir a evasão e elevar a aprendizagem. Assim, o aumento de matrículas pode finalmente resultar em educação de qualidade.

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