A Comissão Europeia propôs a Lei de Acelerador Industrial, uma iniciativa emblemática "Made in EU" que condicionaria partes das compras públicas e regimes de apoio a requisitos de conteúdo local e baixo teor de carbono em setores estratégicos selecionados. O ministério do comércio da China criticou o plano como discriminatório e alertou que poderá responder caso os interesses das empresas chinesas sejam prejudicados.
A Comissão Europeia propôs, em 4 de março de 2026, a Lei de Acelerador Industrial (IAA), uma medida concebida para impulsionar a capacidade de fabricação europeia e reduzir dependências em diversos setores estratégicos, utilizando o poder de compra público e determinados regimes de apoio público.
Autoridades europeias argumentam que a iniciativa responde a reclamações de empresas da UE que enfrentam concorrência intensa — particularmente em áreas como veículos elétricos, baterias e alguns materiais industriais — de produtores que se beneficiam de forte apoio estatal, inclusive na China.
Stéphane Séjourné, vice-presidente executivo da Comissão Europeia responsável pela estratégia industrial, descreveu a proposta como uma forma de usar dinheiro público para fortalecer a produção doméstica e reduzir vulnerabilidades. Em reportagens públicas citadas por outros veículos, ele afirmou que a medida iria "criar empregos ao direcionar o dinheiro dos contribuintes para a produção europeia, diminuindo nossas dependências e aumentando nossa segurança econômica e soberania".
Sob a proposta, critérios de "Made in EU" e/ou de baixo carbono seriam introduzidos para compras públicas e apoio público em setores que incluem, inicialmente, aço, cimento, alumínio, a cadeia de valor automotiva e tecnologias net-zero. Na área automotiva, resumos do setor sobre o projeto de lei descrevem requisitos para que veículos apoiados por certos regimes públicos sejam montados na UE e atendam a limites de conteúdo local — comumente descritos como um limite de 70% para componentes que não sejam de bateria, com requisitos adicionais para certos componentes de baterias.
A proposta também inclui disposições que endureceriam as condições para alguns grandes investimentos estrangeiros diretos em setores estratégicos especificados. Análises legais e políticas do projeto descrevem a possibilidade de vincular requisitos a certos investimentos estrangeiros — tais como medidas relacionadas a tecnologia, emprego e integração da cadeia de valor — em vez de uma proibição geral à participação estrangeira.
O Ministério do Comércio da China alertou que vê a iniciativa como "discriminação sistêmica" contra empresas estrangeiras e afirmou que, se a UE avançar de formas que prejudiquem os interesses das empresas chinesas, Pequim tomará "contramedidas" para salvaguardar os direitos das suas empresas. Grupos industriais chineses na Europa também criticaram aspectos do plano, incluindo disposições que caracterizam como transferência forçada de tecnologia e um escrutínio mais rigoroso sobre o investimento estrangeiro.
Dentro da UE, a proposta gerou debate entre os Estados-membros sobre até que ponto os requisitos "Made in EU" devem ir e como interagem com os compromissos comerciais internacionais do bloco. Análises do projeto indicam que a Comissão pretende alinhar a abordagem com as obrigações da UE, como o Acordo sobre Contratos Públicos da OMC e certos acordos de livre comércio, ao mesmo tempo que incentiva uma maior produção local para projetos financiados publicamente.
A proposta segue agora para o processo legislativo ordinário da UE, exigindo a aprovação do Parlamento Europeu e dos Estados-membros da UE no Conselho antes que possa se tornar lei.