O rei Felipe VI presidiu a Pascua Militar no Palácio Real de Madrid, onde defendeu uma ordem global baseada em regras em meio a crescentes ameaças internacionais, no contexto da recente intervenção dos EUA na Venezuela. A cerimônia ocorreu sem o presidente Pedro Sánchez, que participou de uma cimeira em Paris sobre a Ucrânia, enquanto a ministra da Defesa Margarita Robles enfatizou o respeito pelo direito internacional.
A Pascua Militar, cerimónia anual em honra das Forças Armadas espanholas, realizou-se a 6 de janeiro de 2026 no Palácio Real de Madrid sob a presidência do rei Felipe VI, acompanhado pela rainha Letizia e pela princesa Leonor. Pela primeira vez na democracia, o primeiro-ministro Pedro Sánchez esteve ausente, optando por viajar a Paris para se juntar ao summit da coligação de voluntários em apoio à Ucrânia, organizado pelo presidente francês Emmanuel Macron.
No seu discurso, Felipe VI, trajado com o uniforme da Força Aérea, referiu o « crescente sentimento de ameaça » resultante dos múltiplos conflitos armados de 2025 que chegaram « ao coração da Europa ». Enfatizou a necessidade de Forças Armadas com « um elevado grau de formação e prontidão, adaptabilidade comprovada e bom equipamento », destacando o compromisso de Espanha com o multilateralismo, a NATO e a União Europeia. Embora tenha evitado mencionar diretamente a intervenção militar dos EUA na Venezuela a 3 de janeiro, que terminou com a detenção de Nicolás Maduro, o monarca defendeu uma « ordem global baseada em regras » e o « compromisso com a segurança internacional ».
A ministra da Defesa Margarita Robles foi mais explícita, afirmando que « fora do quadro jurídico internacional, nenhuma ação legítima é possível », aludindo claramente à ação dos EUA. Robles observou que Espanha aumentou os gastos com defesa de 0,9% para 2% do PIB desde 2018 e perdeu 175 soldados em missões internacionais. Reafirmou também o apoio de Espanha à Ucrânia contra a invasão russa e à paz na Faixa de Gaza, listando operações humanitárias do Exército.
O rei dirigiu-se à princesa Leonor, cadete na Academia Geral do Ar, elogiando a sua formação militar que terminará este verão e a preparará para o seu futuro papel de comandante supremo das Forças Armadas. A cerimónia contou com unidades da Guarda Real e representantes dos três ramos das forças armadas e da Guarda Civil.