O calor e a seca ligados às mudanças climáticas já reduziram o rendimento de milho, trigo e soja em cerca de US$ 20 bilhões por ano. Pesquisadores projetam que essas perdas podem aumentar drasticamente para mais de US$ 160 bilhões anuais até 2100 em um cenário de altas emissões. As conclusões foram apresentadas na reunião da União de Geociências Europeia, em Viena, no mês de maio.
Um estudo liderado por Yi Ling Hwong e Kai Kornhuber no Instituto Internacional para a Análise de Sistemas Aplicados utilizou dados históricos de rendimento da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e registros climáticos para calcular os efeitos. O estudo constatou um declínio de 3,5 por cento nos rendimentos entre 2007 e 2019 em comparação com a base de 1974 a 2004, resultando em perdas anuais de produção de cerca de 855 milhões de toneladas. O impacto econômico foi calculado utilizando dados passados de preços da FAO. Espera-se que as perdas atinjam mais duramente grandes produtores como os Estados Unidos em termos absolutos, enquanto países de baixa renda, onde a agricultura emprega a maior parte da população, sentirão os efeitos de forma mais aguda. No caminho de altas emissões SSP3-7.0, o rendimento global das três culturas pode cair cerca de 35 por cento até 2100, elevando as perdas financeiras anuais para mais de US$ 161 bilhões. Os pesquisadores observaram que os números excluem outros impactos climáticos, como inundações e tempestades, e pressupõem alguma adaptação por parte dos agricultores.