Os restos mumificados de um adolescente, tornados completamente verdes por uma caixa de enterro de cobre, foram analisados na Itália. Enterrado há cerca de três séculos em Bolonha, a descoberta fornece novas perspectivas sobre os efeitos preservadores do cobre nos tecidos humanos. O menino, com idades entre 12 e 14 anos, é a única múmia verde quase completa conhecida.
Em 1987, o corpo mumificado de um adolescente foi descoberto no porão de uma villa antiga em Bolonha, norte da Itália. Análise forense na Universidade de Bolonha determinou que pertencia a um menino de 12 a 14 anos. Desde então, os restos — completos exceto pelos pés — têm sido armazenados na universidade.
Uma equipe multidisciplinar, incluindo geneticistas, antropólogos, radiologistas, matemáticos, físicos e cientistas da computação, investigou recentemente a múmia. Annamaria Alabiso, cientista de conservação na Universidade de Roma Tor Vergata, fez parte do esforço. “Foi uma colaboração multidisciplinar muito notável”, diz ela.
Datação por radiocarbono situa a morte do menino entre 1617 e 1814, sem sinais claros de trauma ou doença. O corpo foi enterrado em uma caixa de cobre, que preservou tanto tecidos duros quanto moles devido às propriedades antimicrobianas do cobre. No entanto, ácidos vazando do corpo em decomposição reagiram com o cobre, corroendo a caixa e produzindo íons de cobre que substituíram o cálcio no esqueleto, tingindo-o de verde da pele aos ossos — exceto na perna esquerda.
A pele desenvolveu uma pátina crocante, o revestimento verde pálido visto em estátuas de cobre, de reações com água e dióxido de carbono. “Isso muda completamente nossa visão sobre o papel dos metais pesados, pois seus efeitos na preservação são mais complexos do que poderíamos esperar”, diz Alabiso.
O fundo da caixa eventualmente rachou, possivelmente pelos ácidos, derramando líquido e deixando o corpo em uma câmara fresca, seca e com baixo oxigênio que retardou a decomposição. Os pés podem ter se desprendido e sido perdidos durante esse processo. “Foi uma experiência muito emocional para mim trabalhar com esses restos humanos únicos”, acrescenta Alabiso.
Giulia Gallo no Collège de France em Paris revisou os achados e os chamou de “incríveis” e “tão belos”. Ela elogiou a pesquisa por substanciar os processos químicos por trás da mumificação e da coloração.