Em sua primeira entrevista global como chefe do Departamento de Assuntos Fiscais do FMI, o economista chileno Rodrigo Valdés afirmou que as políticas do Chile para o aumento dos preços dos combustíveis devido à guerra no Irã estão alinhadas com as recomendações do FMI, de forma semelhante às do Reino Unido. Ele alertou que a dívida pública global poderá exceder 100% do PIB até 2029 e defendeu a realização de ajustes fiscais oportunos.
Rodrigo Valdés, ex-ministro das Finanças do Chile e doutor em economia pelo MIT, assumiu o cargo de diretor do Departamento de Assuntos Fiscais do FMI no final de outubro de 2025. Em entrevista ao Pulso, por ocasião da divulgação de seu Fiscal Monitor semestral, Valdés descreveu a situação fiscal global como estagnada, com a dívida pública aumentando em relação ao PIB.
"O principal motivo é que o mundo, ao tomar decisões de política pública, acostumou-se a usar a política fiscal quando necessário, mas, quando as coisas se normalizam, esquece o esforço necessário para recuperar o espaço fiscal", explicou. Em meio à guerra no Irã e à disparada dos preços dos combustíveis, ele recomendou ajuda direcionada e temporária para os mais vulneráveis, evitando subsídios amplos que inflam os preços globais.
Valdés elogiou as medidas do Chile, comparando-as às do Reino Unido: "O Reino Unido adotou políticas semelhantes às do Chile, e elas estão alinhadas com as recomendações que propusemos". O Chile desfruta de mais espaço fiscal do que a média global, embora esteja utilizando-o por meio de déficits e outras medidas.
Sobre as reformas tributárias no Chile, ele defendeu a "discussão mais técnica possível", com avaliações precisas dos efeitos sobre a dívida e o crescimento para salvaguardar a estabilidade fiscal. O FMI destacou o Chile por suas projeções otimistas de receita e aconselhou metas fiscais mais rigorosas.