Imtiaz Cajee, sobrinho do ativista anti-apartheid assassinado Ahmed Timol, testemunhou na Comissão Khampepe que autoridades sabotaram deliberadamente os processos judiciais da Comissão de Verdade e Reconciliação (CVV). Ele retratou crenças anteriores sobre interferência política, apontando, em vez disso, para indivíduos da era do apartheid. O depoimento destaca as lutas contínuas por responsabilização pelas mortes ocorridas durante o apartheid.
Imtiaz Cajee declarou à Comissão de inquérito Khampepe sobre o atraso nos processos da CVV na quinta-feira que houve 'inépcia deliberada' por parte dos ex-vice-diretores seniores do Ministério Público, Torie Pretorius, Anton Ackermann e Chris Macadam, na condução dos casos.
Cajee, que passou décadas buscando justiça pela morte de seu tio Ahmed Timol em 1971 sob custódia policial na John Vorster Square, em Joanesburgo, retratou sua aceitação anterior das alegações de Vusi Pikoli e outros sobre interferência política. 'Quando analiso tudo isso, trata-se de uma conduta deliberada por parte de indivíduos alinhados ao regime da era do apartheid', disse Cajee.
Timol, um ativista e professor de 29 anos, foi agredido e jogado de uma janela do 10º andar, tornando-se a 22ª pessoa a morrer sob custódia desde 1963. Um inquérito de 2017 declarou sua morte como homicídio, derrubando uma conclusão anterior de suicídio, mas suspeitos-chave, como João Rodrigues, morreram sem enfrentar julgamento.
Cajee, cumprindo uma promessa feita a sua avó, criticou a falta de processos judiciais, apesar de não ter havido pedidos de anistia na CVV. Ele questionou por que autoridades como Pikoli não denunciaram a interferência como obstrução criminosa.