Centenas de indígenas reuniram-se em Genebra na semana passada para pedir uma representação mais forte nas Nações Unidas. Eles argumentaram que as mudanças climáticas e outras crises irão piorar sem uma contribuição mais direta nas decisões internacionais. A reunião concentrou-se no Mecanismo de Especialistas da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas.
O Ártico está aquecendo quatro vezes mais rápido do que outras regiões, prejudicando o povo Sámi devido ao derretimento da neve que cria camadas de gelo, impedindo que as renas alcancem os líquens. Tuomas Aslak Juuso, vice-presidente do Parlamento Sámi da Finlândia, disse que esses impactos colocam em dúvida a sobrevivência das renas, dos meios de subsistência e das culturas.
Delegados de todo o mundo apontaram as mudanças climáticas e o colonialismo como questões fundamentais. Eles pressionaram por uma participação aprimorada que daria às nações indígenas o mesmo acesso dos Estados-membros nas reuniões da ONU. As regras atuais forçam a participação como ONGs, criando barreiras.
Kym Hamilton, das tribos de Aotearoa Nova Zelândia, afirmou que os governos muitas vezes priorizam o crescimento econômico em detrimento da proteção ambiental. Ela pediu um cronograma claro para criar um status participativo e um mecanismo de credenciamento independente. Kenneth Deer, da Nação Mohawk, acrescentou que os governos não podem falar pelos povos indígenas.
O Fundo Voluntário da ONU para Povos Indígenas enfrenta déficits orçamentários que limitam as viagens aos fóruns. Sheryl Lightfoot observou uma resistência crescente de alguns Estados em reconhecer os direitos indígenas, especialmente na África e na Ásia.