O governo de José Antonio Kast retirou o projeto de lei de negociação ramal, aprovado pela Comissão do Trabalho da Câmara dos Deputados em 3 de março, atraindo críticas da oposição por supostamente restringir os direitos dos trabalhadores. Legisladores como Luis Cuello e Gael Yeomans questionam a medida e exigem explicações do executivo. O governo argumenta que prioriza a criação de empregos em meio ao alto índice de desemprego.
Em 3 de março, a Comissão do Trabalho da Câmara dos Deputados aprovou em caráter geral o projeto de lei de negociação ramal, apresentado pelo governo de Gabriel Boric. A iniciativa visava permitir que trabalhadores e empregadores do mesmo setor econômico chegassem a um acordo sobre padrões mínimos de condições de trabalho, saúde e segurança ocupacional, salários, distribuição de riqueza e produtividade. A iniciativa foi elogiada pela antiga coalizão governista e pela Central Unitária de Trabalhadores (CUT), mas na terça-feira o novo governo a retirou da agenda legislativa, conforme relatado pelo La Tercera. Os legisladores da oposição reagiram com veemência. O deputado Luis Cuello (PC), membro da comissão, solicitou uma carta oficial ao governo para explicar os poderes constitucionais utilizados, citando um relatório da Fundación Jaime Guzmán. "Não há faculdade na Constituição para retirar um projeto de lei", afirmou Cuello, acrescentando que isso é "um sinal claro de que estamos enfrentando um governo que não acredita no diálogo social". O deputado Gael Yeomans (Frente Amplio) afirmou que "a retirada do projeto de lei de negociação ramal é um mandato do CPC" e criticou a agenda trabalhista do governo. O deputado Boris Barrera (PC) chamou isso de "sinal ruim" de um governo para "os mais ricos". Do executivo, o ministro secretário-geral da Presidência, José García Ruminot, explicou: "O principal dever do governo em matéria de emprego é criar novos empregos" e que a retirada proporciona "maior segurança" para as PMEs contratarem. O Ministro do Trabalho, Tomás Rau, advertiu que a fixação de pisos salariais altos poderia tornar muitas PMEs insustentáveis, levando à informalidade ou ao fechamento de empresas. O presidente José Antonio Kast reforçou: "A negociação do ramal é urgente hoje? Acreditamos que não", citando mais de 850.000 pessoas sem emprego formal e a necessidade de priorizar empregos e segurança.