Pilotos mexicanos da ASPA e CPAM protestaram no SICT contra a autorização da AFAC para a Volaris usar capitães estrangeiros em aeronaves mexicanas por meio de wet lease. Embora o governo não revogue a permissão de 43 dias que começa hoje, foram acordados grupos de trabalho a partir de 8 de dezembro para fortalecer as leis de aviação. Os pilotos argumentam que viola o Artigo 32 da Constituição, que reserva o comando de aeronaves a nacionais mexicanos por nascimento.
Nesta manhã, membros do Colegio de Pilotos Aviadores de México (CPAM) e da Associação Sindical de Pilotos Aviadores de México (ASPA) protestaram nas instalações da Secretaría de Infraestructura, Comunicaciones y Transportes (SICT), exigindo a suspensão de operações com capitães estrangeiros em aeronaves da Volaris. A manifestação decorre da autorização da Agencia Federal de Aviación Civil (AFAC) para a companhia aérea incorporar sete aeronaves de Malta e Lituânia, com tripulações estrangeiras, em rotas domésticas por 43 dias, de dezembro a meados de janeiro.
O esquema de wet lease, que inclui tripulação, foi justificado pela Volaris como uma medida para compensar a imobilização de aeronaves devido a problemas nos motores Pratt & Whitney (P&E), evitando assim o cancelamento de voos. No entanto, os pilotos sustentam que não se trata de uma emergência, pois os horários são planeados com antecedência, e temem que possa levar ao uso repetido de pessoal estrangeiro, afetando empregos locais. A ASPA já havia levantado esta preocupação anteriormente contra medidas semelhantes da Viva Aerobus durante a crise dos motores, que pode durar anos.
Após uma reunião de quase três horas no SICT, foi assinado um acordo para iniciar grupos de trabalho a 8 de dezembro, envolvendo a AFAC, com o objetivo de alterar a Ley de Aviación Civil e as regulamentações de wet lease. O objetivo é reforçar o Artigo 32 da Constituição, que proíbe estrangeiros de comandarem aeronaves mexicanas, e adicionar 'salvaguardas' para evitar recorrências.
Jesús Ortiz, secretário-geral da ASPA, afirmou: “A AFAC informa-nos que, a partir deste momento, tripulações estrangeiras voarão; é algo que continuaremos a contestar, mas estarão em tripulações mexicanas a verificar os estrangeiros”. Acrescentou: “Não recuaremos. Estão a violar a própria Constituição”. Ángel Domínguez, presidente do CPAM, enfatizou: “Na nossa opinião, o Artigo 32 é muito claro: os pilotos que voam em aeronaves mexicanas devem ser mexicanos. Agora, parece que precisamos torná-lo mais claro; façamo-lo”.
A AFAC verificará as capacidades dos pilotos estrangeiros, e a Volaris garante que não haverá impacto nas relações laborais com capitães mexicanos. Embora os protestos não parem as operações imediatas, o sindicato vê os grupos de trabalho como uma oportunidade para 'dar dentes' à lei.