Caridad Silvente, mãe da youtuber cubana Anna Sofía Benítez Silvente, conhecida como Anna Bensi, foi interrogada pela polícia em Havana e enfrenta acusações criminais que podem resultar em cinco anos de prisão por compartilhar imagens de um agente.
Em Havana, Caridad Silvente, mãe da youtuber de 21 anos Anna Sofía Benítez Silvente, conhecida como Anna Bensi, foi submetida a um interrogatório de quase duas horas em uma delegacia em Alamar. Agentes a acusaram de permitir que sua filha publicasse denúncias contra o governo e a ameaçaram com até cinco anos de prisão com base no Artigo 393 do Código Penal cubano, que penaliza atos contra a privacidade pessoal e familiar. Os procedimentos criminais decorrem do compartilhamento por Silvente de imagens do suboficial do Ministério do Interior Yoel Leodan Rabaza Ramos, que entregou uma intimação em sua casa. Anna Bensi publicou essas fotos como denúncia de intimidação policial. Durante o interrogatório, os oficiais a chamaram de 'má mãe' e acusaram sua filha de ser 'contrarrevolucionária', conspirar e receber ordens dos Estados Unidos. Depois, Silvente foi colocada em prisão domiciliar, proibida de receber visitantes e obrigada a contratar um advogado em cinco dias. As autoridades também afirmaram que Anna Bensi será convocada em breve. Em uma mensagem no Facebook, Anna Bensi respondeu publicamente à Segurança do Estado: 'Minha mãe não é criminosa. Se algo acontecer com minha mãe ou comigo, a culpa será de vocês.' Ela acrescentou que continuará expressando suas ideias livremente sem medo. A Embaixada dos EUA em Cuba questionou em seu perfil no X: 'Não tivemos o prazer de conhecer Anna Bensi ou sua mãe, mas por que as autoridades do regime os estão convocando? Por que os estão ameaçando?'. Este incidente destaca uma prática crescente de pressão policial sobre parentes de ativistas. Um caso similar ocorreu na última terça-feira envolvendo o pai de um membro do projeto digital Fuera de la Caja, que foi interceptado em seu local de trabalho e ameaçado com a prisão de seus filhos se continuarem com atividades políticas nas redes sociais. Fuera de la Caja também relatou que Anna Bensi e sua mãe tiveram sua conexão à internet cortada, outra medida repressiva. A Associação Interamericana de Imprensa (IAPA) denunciou este assédio constante contra jornalistas independentes e seus parentes em Cuba. Em um comunicado de Miami, o presidente da IAPA Pierre Manigault observou que 'a repetição de prisões, bloqueios policiais, agressões físicas e ameaças demonstra o uso sistemático do aparato estatal para intimidar e silenciar jornalistas.' Martha Ramos, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa da IAPA, acrescentou que 'a perseguição não só atinge aqueles que reportam as notícias, mas também seus parentes e associados próximos, em uma estratégia destinada a gerar medo e incentivar a autocensura'. O Índice Chapultepec de Liberdade de Expressão e Imprensa de 2025, divulgado pela IAPA, classifica Cuba como tendo 'Alta Restrição': 'Cuba apresenta uma ditadura fortalecida que normalizou situações adversas à liberdade de expressão, refinando o ambiente restritivo ao ponto de quase impedir a expressão cidadã'.