A Corte Internacional de Justiça emitiu uma opinião consultiva histórica obrigando as nações a limitar as emissões de gases de efeito estufa, após depoimento de ilhéus do Pacífico como Coral Pasisi. Agora, defensores indígenas da região estão se dirigindo à COP30 no Brasil para exigir adesão. Eles enfatizam a eliminação gradual de combustíveis fósseis, financiamento para recuperação e inclusão de conhecimento tradicional nas decisões.
Em dezembro de 2024, Coral Pasisi testemunhou perante a Corte Internacional de Justiça em Haia, relatando a devastação causada pelo Ciclone Heta que atingiu Niue em janeiro de 2004. A tempestade trouxe ventos de 184 milhas por hora e ondas de 164 pés, destruindo o museu nacional da ilha, o hospital, o tribunal e o depósito de combustível. Dois residentes morreram, e os danos atingiram quase 48 milhões de dólares americanos —cinco vezes o PIB anual de Niue— para sua população de pouco mais de 1.700 pessoas. "Isso é uma perda não econômica inimaginável, irreparável e insubstituível", disse Pasisi ao tribunal. "Uma que roubou de nossos filhos seus direitos inerentes futuros ao conhecimento tradicional e identidade cultural."
O relato de Pasisi foi um dos mais de 100 testemunhos que levaram a CIJ a decidir que toda nação tem uma obrigação legal de conter as emissões. O caso se originou de estudantes de direito da Universidade do Pacífico Sul em Vanuatu. Embora não vinculante, a opinião consultiva fortalece o direito internacional sobre deveres climáticos.
Como diretora de mudança climática e sustentabilidade na The Pacific Community, Pasisi e outros defensores estão comparecendo à COP30 no Brasil para pressionar pelo cumprimento. "Esta é uma lente de clareza diferente que todos temos agora ao entrar na COP30", disse Pasisi. Eles exigem a eliminação gradual de combustíveis fósseis, financiamento para recuperação de desastres e integração do conhecimento ecológico indígena. Críticos se opõem à mineração no leito marinho para minerais de transição, argumentando que isso prejudica os ecossistemas do Pacífico. Alguns sugerem sediar a próxima COP na Austrália para destacar impactos regionais.
Belyndar Rikimani, das Ilhas Salomão e fundadora do grupo estudantil de Vanuatu, afirmou: "Nossos lares, culturas e modos de vida estão na linha de frente de uma crise que não causamos. Nosso objetivo é lembrar aos negociadores que por trás de cada decisão de política há pessoas reais e vidas reais em risco."
Sindra Sharma, da Pacific Islands Climate Action Network, chamou a decisão de "ferramenta de esperança e ambição", instando a revisão de metas nacionais de emissões para permanecer abaixo de 1,5 graus Celsius de aquecimento. Pasisi observou atrasos no financiamento —muitas vezes oito anos— e negativas passadas, como a rejeição de ajuda pós-ciclone a Niue por não se qualificar como adaptação.
Jovens Māori da Nova Zelândia Aotearoa defendem a governança indígena, honrando Te Tiriti o Waitangi e reconhecendo a personalidade da natureza, como com Taranaki Maunga no início deste ano. Apesar de promessas quebradas no passado, Pasisi encontra esperança na dedicação da juventude: "O fato de eles terem liderado o chamado da CIJ apenas mostra o quão poderosos os jovens podem ser se você lhes der espaço."