O governo peruano autorizou a extradição para a Argentina de Tony Janzen Valverde Victoriano, conhecido como 'Pequeño J', principal suspeito do triplo feminicídio ocorrido em setembro de 2025 em Florencio Varela. As vítimas foram Lara Gutiérrez (15), Brenda del Castillo (20) e Morena Verdi (20), mortas em um contexto de tráfico de drogas. A resolução foi assinada pelo presidente José Enrique Jerí Oré e publicada em 30 de janeiro de 2026.
O triplo feminicídio em Florencio Varela chocou a Argentina em setembro de 2025. No dia 19 daquele mês, Lara Gutiérrez, 15 anos; Brenda del Castillo, 20; e Morena Verdi, também 20, foram atraídas para uma suposta festa e acabaram torturadas, assassinadas e enterradas em um imóvel no distrito de Buenos Aires. De acordo com o depoimento de Celeste Magalí González Guerrero, uma das nove pessoas presas, 'Pequeño J' — cujo nome real é Tony Janzen Valverde Victoriano — orquestrou o crime. Guerrero relatou que o jovem ligou para levar as vítimas à sua casa, onde elas chegaram em uma picape Chevrolet branca com outros homens. “Eu as vi como enganadas, indo para uma festa”, disse Guerrero. O motivo, segundo seu depoimento, foi que duas das garotas roubaram 30 quilos de cocaína de Lázaro Víctor Sotacuro, tio de Valverde e figura-chave na gangue de drogas. O crime envolveu várias pessoas: Miguel Ángel Villanueva usou uma chave de fenda e uma barra de ferro para atacar as vítimas, enquanto outros cavavam valas para os corpos. Guerrero observou que Sotacuro estava “acima” de Valverde na hierarquia e que Villanueva agiu sem pagamento. Após sua prisão no Peru, Valverde enfrentou o processo de extradição. Em 30 de janeiro de 2026, o Peru emitiu a Resolução Suprema nº 041-2026-JUS, assinada pelo presidente José Enrique Jerí Oré, pelo ministro da Justiça Walter Eleodoro Martínez Laura e pelo ministro das Relações Exteriores Hugo Claudio De Zela Martínez. A medida exige que a Argentina compense o tempo de detenção no Peru e verifique se não há processos pendentes contra Valverde em seu país natal. Atualmente, há 11 detidos na Argentina, incluindo Matías Agustín Ozorio, ainda no Peru aguardando extradição. Recentemente, o juiz Jorge Ernesto Rodríguez processou Jesús Bernabé Mallón ('El Tío'), Débora Mónica Mujica e Joseph Zavaleta por seus papéis no planejamento e acobertamento. Mallón, referente logístico da banda, mantinha contatos chave e usava um Chevrolet Cruze branco apreendido durante sua prisão. A Justiça acusa Valverde de “homicídio agravado cometido com a premeditada concorrência de duas ou mais pessoas, com crueldade, traição e violência de gênero reiterada em três atos”, podendo enfrentar prisão perpétua. Uma vez concluídas as formalidades, ele será julgado na Argentina.