Um novo estudo revela que o microbioma oral sofre mudanças significativas durante a gravidez, tornando-se menos diverso e potencialmente mais inflamatório. Essas mudanças, observadas em centenas de mulheres, podem contribuir para problemas dentários comuns como doença gengival e perda de dentes. Pesquisadores sugerem que fatores hormonais e de estilo de vida impulsionam essas alterações.
A gravidez há muito está associada a problemas dentários aumentados, encapsulados no ditado 'ganhe uma criança, perca um dente'. Embora mudanças hormonais sejam frequentemente citadas, uma investigação recente aponta para perturbações no microbioma oral como fator chave.
Yoram Louzoun, da Universidade Bar-Ilan em Israel, liderou um estudo que analisou amostras de saliva de 346 mulheres grávidas em Israel, coletadas às 11-14 semanas, 24-28 semanas e 32-38 semanas, cobrindo todos os trimestres. Os achados, publicados no bioRxiv (DOI: 10.1101/2025.09.29.679276), mostram uma queda na diversidade microbiana começando entre o primeiro e o segundo trimestres, progredindo ao longo da gravidez. Notavelmente, os níveis da bactéria benéfica Akkermansia muciniphila diminuíram, enquanto Gammaproteobacteria e Synergistota associados à inflamação aumentaram.
'Tipicamente, o microbioma oral é estável, mas ao longo de muitos anos, há uma diminuição lenta na diversidade', explicou Louzoun. 'A gravidez é como um avanço rápido dessa evolução muito lenta. Você pode ver as mudanças que normalmente ocorrem em muitos anos em apenas nove meses.'
Padrões semelhantes emergiram em uma segunda coorte de 154 mulheres grávidas da Rússia, examinadas durante o segundo e terceiro trimestres. Fatores que influenciam essas mudanças incluem flutuações hormonais, inflamação, mudanças dietéticas, náuseas e interrupção de medicamentos. Questionários revelaram efeitos distintos entre mulheres em dietas sem glúten, aquelas tomando antibióticos, com estresse ou histórico de tabagismo — até ex-fumantes mostraram impactos persistentes.
Especialistas ofereceram visões mistas sobre causalidade. Louzoun observou que, embora as mudanças sejam rápidas, seu papel em problemas dentários de início precoce permanece incerto. Lindsey Edwards, do King's College London, destacou que a gravidez torna a saliva mais ácida, potencialmente exacerbando mudanças microbianas. Valentina Biagioli, da Universidade de Gênova, enfatizou interações entre alterações do microbioma e hormônios, fornecendo uma 'justificativa biológica plausível' para problemas como perda de dentes.
Essas percepções podem informar o monitoramento da gravidez, com um microbioma basal ajudando a detectar desvios ligados a complicações. Manter a saúde oral por meio de higiene e dieta também pode apoiar os sistemas imunológicos materno e fetal, influenciando resultados de longo prazo como riscos de alergia ou inflamação crônica.