Manifestantes ocupam local da COP30 em meio a frustração com progresso lento

A frustração explodiu nas negociações climáticas da ONU em Belém, Brasil, quando manifestantes ocuparam brevemente partes da área de negociação na noite de terça-feira. O incidente destacou tensões mais profundas no processo da COP30, onde regras burocráticas e desigualdades impedem ações climáticas urgentes. As negociações foram retomadas no dia seguinte após ferimentos leves e fechamentos temporários.

A primeira semana da COP30, realizada em Belém, Brasil, tem sido marcada por exaustão e progresso lento, enquanto os delegados navegam por procedimentos burocráticos sufocantes desconectados da crise climática. Na noite de terça-feira, dezenas de manifestantes empurraram guardas de segurança e ocuparam seções da Zona Azul, exigindo o fim da mineração e do desmatamento na Amazônia. Funcionários da UNFCCC relataram dois ferimentos leves, com partes do local fechadas temporariamente para limpeza e verificações de segurança. A ONU e a polícia local estão investigando, mas as negociações foram retomadas no horário programado na manhã de quarta-feira.

O grupo Juventude Kokama OJIK compartilhou um vídeo da ocupação no Instagram, enquadrando-o como resistência contra a exclusão. “Eles criaram um espaço ‘exclusivo’ em um território que SEMPRE foi Indígena, e isso viola nossa dignidade”, escreveu o grupo. “A manifestação é para dizer que não aceitaremos ser separados, limitados ou impedidos de circular em nossa própria terra. O território é ancestral, e o direito de ocupar esse espaço é inegociável.”

Essa interrupção contrastou fortemente com a rotina da conferência, onde delegados passam por detectores de metal em meio a quiosques de espresso, parecendo mais uma feira de escritório do que negociações climáticas urgentes. A socióloga Danielle Falzon da Universidade Rutgers, cuja pesquisa abrange as COPs desde 2016, atribui a falta de progresso à estrutura corporativa da UNFCCC. “Eu gostaria de ir às negociações e ver as pessoas levando a sério a urgência e a inegabilidade das mudanças massivas que estamos vendo”, disse ela. Falzon observa que o processo reflete desigualdades globais, com equipes bem financiadas de nações ricas dominando enquanto delegações menores de países em desenvolvimento lutam para acompanhar.

“Todos estão exaustos, mas as pessoas de delegações menores estão apenas tentando acompanhar”, acrescentou Falzon. O sistema prioriza consenso e procedimentos sobre resultados, produzindo novos textos e programas em vez de reduções de emissões. O pesquisador em comunicações climáticas Max Boykoff da Universidade do Colorado Boulder argumenta que enquadrar questões climáticas cientificamente desde os anos 1980 marginalizou perspectivas emocionais e experienciais, ritualizando as negociações em seu detrimento. Notificações para eventos como o “Alto Nível Ministerial sobre Governança Multinível” exemplificam essa linguagem tecnocrática. “O que realmente precisamos”, disse Boykoff, “é abalá-lo, criar espaços que permitam às pessoas refletir, sentir e se engajar de novas maneiras.”

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