O presidente Cyril Ramaphosa ordenou o destacamento da Força de Defesa Nacional Sul-Africana (SANDF) para apoiar os esforços policiais contra a violência de gangues na Western Cape e a mineração ilegal em Gauteng. O anúncio, feito durante o seu Discurso sobre o Estado da Nação (SONA), recebeu aplausos dos parlamentares, mas críticas de analistas de defesa. Eles argumentam que a medida destaca falhas no serviço policial e sobrecarrega um exército subfinanciado.
O presidente Cyril Ramaphosa anunciou na quinta-feira, durante o seu Discurso sobre o Estado da Nação de 2026 no City Hall de Cape Town, que a SANDF ajudaria o South African Police Service (SAPS) a combater o gangsterismo nos Cape Flats na Western Cape e a mineração ilegal em Gauteng. « Para fortalecer a nossa luta contra a violência de gangues, estou a destacar a Força de Defesa Nacional Sul-Africana (SANDF) para apoiar a polícia, como fizemos com grande efeito na mineração ilegal », declarou Ramaphosa. Ele instruiu o Ministro da Polícia e a SANDF a desenvolverem um plano tático para o destacamento nos próximos dias e, conforme exigido pela Constituição, a informar a Assembleia Nacional (NA) e o Conselho Nacional de Províncias (NCOP) sobre o momento, o local e o custo. nnO anúncio foi recebido com aplausos da maioria dos membros do Parlamento. No entanto, coincide com a decisão anterior de Ramaphosa em 8 de fevereiro de retirar cerca de 700 tropas sul-africanas da missão de manutenção da paz das Nações Unidas (Monusco) na República Democrática do Congo (RDC) até o final do ano, terminando 27 anos de envolvimento. nnAnalistas de defesa criticaram o destacamento. John Stupart, numa análise para o Daily Maverick, argumentou que a SANDF está subfinanciada e mal equipada, descrevendo-a como « a apodrecer de fora para dentro » após quase duas décadas de cortes orçamentais apesar de uma revisão de defesa em 2015. Ele observou que o apoio anterior da SANDF na Operação Prosper em 2019 não reduziu a violência de gangues a longo prazo, pois os homicídios retomaram após a saída das tropas, e enfatizou que os soldados carecem de poderes de prisão ou capacidades de inteligência para abordar causas raízes como governação fraca e disfunções sociais. nnDa mesma forma, o analista de defesa Kobus Marais disse à SABC News que o destacamento indica um « défice sério de desafios estruturais e a deterioração das capacidades do serviço policial ». Ele sublinhou que o mandato constitucional da polícia é proteger os cidadãos internamente, enquanto o papel da SANDF é a defesa externa. Marais destacou o estado deteriorado da SANDF, com um orçamento de um terço do da polícia e menos pessoal, alertando que o uso de soldados contra cidadãos mina a democracia constitucional. nnO tema deve figurar nos debates parlamentares na terça e quarta-feira, com Ramaphosa a responder na quinta-feira.