A oposição ao salário vital na Colômbia vem da direita política e da ortodoxia econômica, que o veem como preço de mercado e custo de produção, priorizando a rentabilidade sobre a dignidade dos trabalhadores. Essa abordagem ignora as necessidades básicas de vida dos trabalhadores, tratando-as como externalidades de mercado. Recentemente, um decreto beneficiou 98.000 soldados e 8.000 médicos residentes, mas enfrenta ações judiciais para ser revogado.
O salário vital vai além de um mero ajuste salarial; é um direito constitucional previsto no artigo 53 da Constituição Política da Colômbia, destinado a garantir que os trabalhadores vivam com dignidade. Segundo a análise de Jorge Coronel López, a resistência da direita política alinha-se à ortodoxia econômica, que vê os salários como uma mercadoria cujo preço deve ser minimizado para salvaguardar a competitividade e a rentabilidade do capital. Essa perspectiva trata os trabalhadores como um fator contábil, sujeito às condições do mercado de trabalho, sem considerar a reprodução da vida — como alimentação, moradia e cuidados. «O mercado paga pelas horas de trabalho, mas não se responsabiliza pelo fato de que as pessoas trabalhadoras precisam comer, viver, descansar, cuidar e serem cuidadas», explica o autor. Ela também tolera o desemprego e a informalidade como mecanismos para manter os salários baixos, vendo-os não como falhas do sistema, mas como ferramentas disciplinares. A ortodoxia enfrenta desafios éticos e sociais, pois seu arcabouço colide com o estado social de direito. Enquanto 98.000 soldados e 8.000 médicos residentes celebram o salário vital recém-decretado para este ano, os opositores impulsionam ações judiciais para anulá-lo, focando no custo econômico em vez da justiça social. Esse debate marca a implementação plena do artigo 53, sublinhando a tensão entre rentabilidade e bem-estar humano.