O Senado do México iniciou na quinta-feira um debate urgente sobre a nova Lei Geral de Águas, aprovada horas antes pela Câmara dos Deputados sem passar por comissões. Agricultores protestam do lado de fora do Congresso e ameaçam bloquear a Cidade do México e outros estados se suas demandas não forem atendidas. Parlamentares do Morena defendem a iniciativa da presidente Claudia Sheinbaum, enquanto a oposição critica o processo apressado.
A Câmara dos Deputados aprovou na quinta-feira, 4 de dezembro de 2025, em geral e em particular, o projeto de reforma da Lei Nacional de Águas com 324 votos a favor, 118 contra e duas abstenções, após mais de 24 horas de debate. O projeto foi enviado diretamente ao Senado, onde a maioria do Morena, PT e PVEM aprovou com 83 votos a favor e 27 contra, considerando-o uma 'resolução urgente', omitindo a primeira leitura e os procedimentos em comissões, conforme confirmado pela presidente da Mesa Diretora do Senado, Laura Itzel Castillo.
No plenário do Senado, durante o debate, o parlamentar do PAN Ricardo Anaya acusou o Morena de mentir sobre o apoio dos agricultores e apontou protestos com tratores cercando a Câmara e bloqueios de pontes para os Estados Unidos. 'Não mintam; se não, então por que as pontes para os EUA estão tomadas?, por que a Câmara está cercada de tratores?, por que os agricultores estão insatisfeitos? Há uma coisa que não é aceitável aqui e é mentir', disse Anaya.
Adán Augusto López, senador do Morena e presidente da Junta de Coordenação Política, respondeu do púlpito: 'Não queremos poder político, o povo do México nos deu a maioria absoluta. (O poder) falta para outros, que querem poder político, porque nem sequer controlaram sua própria bancada ontem.' López afirmou que a lei, promovida pela presidente Claudia Sheinbaum, visa ordenar as concessões de água para garantir disponibilidade para toda a população e que as demandas dos produtores já foram atendidas após fóruns e consultas.
Organizações de agricultores, como a Frente dos Agricultores liderada por Eraclio Rodríguez, mantêm bloqueios de estradas em Zacatecas, Chihuahua, Sonora, Guanajuato, Querétaro e Aguascalientes. Eles exigem dois artigos transitórios para reconhecer poços e perfurações históricas, alertando que, sem eles, milhares de produtores ficariam vulneráveis. 'Se a Lei da Água avançar sem mudanças, teremos que intensificar a mobilização porque é a única forma que temos de nos defender', declarou Rodríguez. Baltazar Valdez, dos Agricultores Unidos de Sinaloa, juntou-se ameaçando bloquear a Cidade do México. A oposição, incluindo PRI, PAN e MC, rotula o processo como uma 'via rápida legislativa' que requer análise detalhada, enquanto o Morena o defende como combate ao acaparamento de água e ao mercado negro, eliminando transferências entre particulares e criando um Registro Nacional de Águas.