Após fortes ganhos em 2025, os mercados sul-africanos entram em 2026 com maior volatilidade e uma mudança para diversificação estratégica. Especialistas alertam para menos oportunidades fáceis à medida que tendências globais como a fraqueza do dólar americano desaparecem. Ações e títulos locais podem enfrentar desafios em meio a divisões econômicas.
O ano de 2025 trouxe retornos impressionantes para investidores sul-africanos, com ações locais subindo 37% em rands, títulos aumentando 21%, e o rand se valorizando mais de 12% frente ao dólar americano. O ouro se destacou, disparando mais de 50%. Kyle Hulett, chefe de investimentos da Sygnia Asset Management, chamou de “amazing year in terms of returns”, mas alertou que “volatility is definitely back”, prevendo que os mercados ficarão “a lot more wobbly” em 2026.
Globalmente, os EUA continuam liderando, impulsionados por um boom de inteligência artificial esperado para impulsionar o PIB em 2,5% no próximo ano. Hiperscalers como Meta, Amazon e Oracle planejam investimentos massivos em data centers, totalizando quatro vezes os gastos de capital do setor de energia dos EUA. No entanto, Hulett destacou preocupações com as “huge amounts of debt” dessas empresas, enquanto Ishreth Hassen da Foord Asset Management notou as avaliações recordes do setor de TI e os limites de seu ciclo de financiamento.
A queda de 10% do dólar americano desde seu pico em 2025 proporcionou um vento a favor para mercados emergentes, incluindo a África do Sul, que registrou 42% de retornos em dólares. Analistas da Morningstar, Michael Dodd e Sean Neethling, chamaram de “hidden gem”. Tom Wilson da Schroders antecipa mais depreciação do dólar, beneficiando ações de mercados emergentes por condições financeiras mais fáceis.
Contudo, o otimismo é moderado localmente. Hulett descreve uma “L-shaped recovery”, citando baixa produtividade, problemas fiscais e baixa preparação para IA. Embora a confiança empresarial tenha subido cinco pontos no final de 2025, junto com upgrade de crédito S&P e saída da lista cinza da FATF, pequenas empresas permanecem vulneráveis, com 51,50 no Small Business Growth Index. Cerca de 67% planejam aumentos de preços, e apenas 38% esperam sobreviver um ano sem apoio, segundo Alan Mukoki da SACCI, que pede menos burocracia e melhor infraestrutura.
Especialistas recomendam portfólios equilibrados: Foord elevou a exposição a ações sul-africanas acima de 60%, focando em setores defensivos como saúde e bens de consumo básicos. Sygnia vai para neutro em títulos locais, favorecendo alternativas de mercados emergentes, enquanto a Morningstar sugere small-caps e ações de valor dos EUA em vez de gigantes de tech.