O Conselho de Ministros da Espanha aprovará nesta terça-feira a concessão de nacionalidade espanhola em rito acelerado ao líder da oposição venezuelana Leopoldo López, confirmou o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares. A medida resolve a falta de documentação negada pelo governo venezuelano há anos. A decisão gera debate na Venezuela sobre suas implicações para as aspirações presidenciais de López.
O ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, confirmou em uma entrevista ao programa 'El món', da rádio RAC1, que a proposta de conceder a carta de naturaleza a Leopoldo López, líder do Voluntad Popular, será submetida ao Conselho de Ministros nesta terça-feira. "Aguardaremos a deliberação do Conselho de Ministros para a decisão final", afirmou Albares, justificando a via rápida devido à "situação muito especial" do líder opositor, que se encontra sem passaporte venezuelano após processos iniciados em outubro de 2025 por ordem de Nicolás Maduro.
Maduro instruiu então o Tribunal Supremo a retirar a nacionalidade de López por um suposto "chamado a uma invasão militar", com o apoio de Delcy Rodríguez. Residente em Madri desde 2020, após passar um ano e meio como refugiado na embaixada espanhola, López respondeu: "Nenhum venezuelano nascido na Venezuela pode ter sua nacionalidade retirada". Albares observou que 200 mil venezuelanos chegaram à Espanha sob um "estatuto único" de proteção, e que Edmundo González está "livre em Madri hoje e não preso em Caracas graças a este Governo".
A medida levanta questões sobre a candidatura presidencial de López, já que a Constituição da Venezuela exige que os candidatos sejam nascidos no país e não possuam dupla nacionalidade. O consultor Luis Peche vê a ação como um apoio temporário diante da condição de apátrida de López, enquanto o especialista eleitoral Jesús Castellanos a enxerga como uma "derrota política". López clama por um novo processo eleitoral "limpo e transparente" na Venezuela e mantém o otimismo.
Recentemente, a casa de López em Caracas foi esvaziada e demolida, e seus animais de estimação foram mortos, em meio a um cenário de anistia e atividades da oposição, que incluíram libertações como as de Freddy Superlano e Roland Carreño.