Pessoas que perdem peso usando medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic e Wegovy, podem ser julgadas de forma mais negativa do que aquelas que emagrecem por meio de dieta e exercícios — e até mesmo de forma mais negativa do que pessoas que não perdem peso — de acordo com um novo estudo liderado pela psicóloga Erin Standen, da Rice University.
Um novo estudo publicado no International Journal of Obesity relata que pessoas que perdem peso usando medicamentos GLP-1 — incluindo drogas amplamente conhecidas como Ozempic e Wegovy — podem enfrentar um julgamento social mais severo do que aquelas que emagrecem através de dieta e exercícios, ou até mesmo do que aquelas que permanecem com um peso mais elevado.
A pesquisa foi liderada por Erin C. Standen, professora assistente de ciências psicológicas na Rice University, com os coautores Sean M. Phelan, da Mayo Clinic, e A. Janet Tomiyama, da University of California, Los Angeles. Em um comunicado da Rice University distribuído pelo ScienceDaily, Standen afirmou que a equipe previa algum estigma, mas ficou surpresa com sua magnitude.
Como funcionou o experimento
No estudo, os participantes avaliaram uma pessoa fictícia descrita por meio de diferentes cenários de histórico de peso: um em que a pessoa perdeu peso usando um medicamento GLP-1, um em que a pessoa perdeu peso por meio de dieta e exercícios, e um em que a pessoa não perdeu peso.
Em todos os cenários, os participantes avaliaram o usuário de GLP-1 de forma mais negativa do que a pessoa que perdeu peso por dieta e exercícios. O usuário de GLP-1 também foi avaliado de forma mais negativa do que a pessoa que não perdeu peso — uma descoberta que Standen descreveu como uma "penalidade social" pelo método de perda de peso utilizado.
Recuperação de peso gerou críticas adicionais
O estudo também examinou o que acontece quando o peso é recuperado após a interrupção do tratamento — uma situação que os pesquisadores observaram poder ocorrer quando as pessoas descontinuam os medicamentos GLP-1 devido a custos, limites de planos de saúde ou efeitos colaterais.
Os participantes julgaram o reganho de peso de forma mais negativa do que a perda de peso mantida, e essa penalidade apareceu independentemente de a perda de peso inicial ter vindo de medicamentos ou de mudanças no estilo de vida.
Por que isso é importante
Standen e seus coautores apontaram para evidências mais amplas de que o estigma relacionado ao peso está associado a resultados prejudiciais, incluindo estresse, evitação de cuidados médicos e estratégias de enfrentamento pouco saudáveis. Standen afirmou que sentir-se julgado por escolhas relacionadas à saúde pode determinar se as pessoas buscarão atendimento e quão abertamente elas discutirão o peso e o tratamento com os médicos.
Com os medicamentos GLP-1 tornando-se cada vez mais discutidos e utilizados, os pesquisadores afirmaram que as descobertas destacam a necessidade de reconsiderar as narrativas culturais que classificam a perda de peso assistida por medicamentos como "o caminho mais fácil", e de reduzir o julgamento tanto em relação ao tamanho corporal quanto aos caminhos que as pessoas escolhem para controlar seu peso.