Em entrevista no programa 'The Daily Show', o ator brasileiro Wagner Moura agradeceu ironicamente ao ex-presidente Jair Bolsonaro por motivar a criação do filme 'O Agente Secreto', que se passa na ditadura militar de 1977. Moura explicou que o governo de extrema-direita de 2018-2022 reacendeu ecos do passado autoritário, impulsionando a produção dirigida por Kleber Mendonça Filho. O filme, que ganhou dois Globos de Ouro, acumula indicações em premiações internacionais.
Wagner Moura, protagonista de 'O Agente Secreto', participou de uma entrevista no programa 'The Daily Show' com Jordan Klepper em 16 de janeiro de 2026. Durante a conversa, o ator baiano conectou a origem do filme ao governo de Jair Bolsonaro, eleito em 2018. "Quando nós elegemos um presidente de extrema-direita em 2018, esse homem foi como uma manifestação física desses ecos", disse Moura, referindo-se aos resquícios da ditadura militar brasileira, que terminou em 1985.
Moura afirmou que, sem Bolsonaro, o filme não teria sido feito. "Sem ele, nunca teríamos feito esse filme. O filme nasce a partir da perplexidade compartilhada por mim e pelo diretor Kleber Mendonça Filho com o que estava acontecendo no Brasil entre 2018 e 2022", explicou. Ele mencionou ter agradecido ironicamente a Bolsonaro em um prêmio em Cannes. O longa, dirigido por Kleber Mendonça Filho, se passa em 1977 em Recife, acompanhando Marcelo, um professor que retorna à cidade disfarçado para resgatar o filho em meio à opressão da ditadura.
A entrevista também tocou na Lei da Anistia de 1979, que perdoou torturadores e assassinos, prejudicando a memória coletiva brasileira. Moura criticou a lei, afirmando: "Isso foi muito ruim para a nossa memória coletiva ou perda dela. Há coisas que não podem ser esquecidas, que não podem ser perdoadas". Ele contrastou o Brasil, que puniu os invasores do 8 de janeiro de 2023 e prendeu Bolsonaro, com os Estados Unidos após o 6 de janeiro de 2021.
Enquanto isso, 'O Agente Secreto' segue na mira de prêmios. O filme recebeu dez indicações ao International Cinephile Society Awards, incluindo melhor filme, direção, ator para Moura e atriz coadjuvante para Tânia Mari. É a segunda produção mais indicada, atrás apenas de 'Uma Batalha Após a Outra', de Paul Thomas Anderson, com 12 menções. A produtora Lucy Barreto rebateu polêmicas sobre financiamento público, esclarecendo que o cinema brasileiro é sustentado por contribuições criadas na era Geisel, não do orçamento público.