O chefe de Gabinete argentino Manuel Adorni pediu desculpas por usar a palavra 'deslomarse' para descrever sua viagem oficial a Nova York, chamando-a de frase infeliz. A controvérsia surgiu ao incluir sua esposa na delegação no avião presidencial, gerando críticas políticas e debates sobre o uso de recursos estatais. O presidente Javier Milei defendeu Adorni, enquanto analistas o questionaram.
Manuel Adorni, chefe de Gabinete da Argentina, gerou controvérsia durante sua participação na Semana da Argentina em Nova York, um evento que reúne empresários e investidores para promover oportunidades de negócios. Em uma transmissão ao vivo, Adorni comentou que estava 'deslomándose'—descontraindo—enquanto realizava atividades oficiais, atraindo críticas nas redes sociais e em círculos políticos por parecer frívolo em uma viagem financiada pelo Estado. Adorni abordou o incidente em suas redes sociais, afirmando: “Pode-se dizer alguma palavra ou frase infeliz em um ao vivo, sim. Isso já me aconteceu muitas vezes. A palavra não deveria ter sido ‘deslomarse’. Somos humanos e erramos.” Ele admitiu que a expressão foi inadequada para descrever seu trabalho, voltado para impulsionar mudanças econômicas na administração de Javier Milei. A controvérsia escalou ao se saber que sua esposa se juntou à delegação no avião presidencial após inicialmente pagar mais de US$ 5.000 por um bilhete comercial, devido a uma mudança de agenda. Isso contrastava com um decreto de 2024 anunciado por Adorni que proíbe viagens privadas em aviões públicos, mencionando explicitamente 'levar familiares'. Além disso, foi notada uma viagem em família a Punta del Este em um avião particular, pela qual Adorni pagou US$ 3.600. O presidente Milei defendeu Adorni invocando o conceito de 'custo marginal', argumentando que as críticas não tinham sentido econômico: “Se conhecessem o conceito de custo marginal, veriam que muitas coisas ditas não fazem sentido algum. ANIMA @madorni ...!!!” Sua irmã Karina Milei também manifestou apoio online. No entanto, o economista Diego Giacomini rebateu: “A viagem é financiada com roubo de impostos que vocês cobram de todos. E o custo marginal é 0 para cada contribuinte”, acusando Milei de inconsistência ética. O analista político Marcos Novaro criticou a explicação de Adorni como “o argumento de muitos corruptos”, descrevendo-a como uma justificativa que legitima ações pessoais por supostos méritos nacionais. Em sua declaração juramentada de 2024, Adorni declarou bens no valor de 107,9 milhões de pesos, com dívidas de 95,4 milhões, propriedades em Buenos Aires e La Plata, e veículos incluindo uma Jeep Compass 2021.