Executivos do Banco do Brasil projetaram uma recuperação em formato de "W" para o agronegócio em 2026, com o índice de pagamentos alcançando 95%, durante o BB Day. A inadimplência do setor continua pressionando os resultados, especialmente no primeiro semestre, em meio a riscos como a guerra no Oriente Médio e o El Niño. O banco planeja manter o crédito calibrado ao risco, com garantias mais robustas.
Durante o BB Day, evento para investidores e analistas, executivos do Banco do Brasil detalharam as perspectivas para 2026. O banco registrou queda de 45,4% no lucro em 2025, impactado pela deterioração da carteira de agronegócio, com inadimplência subindo 3,86 pontos percentuais em 12 meses. Para este ano, espera-se pressão até o fim do primeiro semestre, com melhora gradual na segunda metade.
Gilson Bittencourt, vice-presidente de agronegócio, afirmou que a recuperação será gradual, pois novas operações com garantias como imóveis e alienações fiduciárias ainda são minoritárias, representando cerca de 20% dos recebimentos de custeio. O índice de pagamentos deve ir a 95% em 2026, ante 92% em 2025 e 99% em 2023. O fluxo de vencimentos soma R$ 155,6 bilhões, com R$ 87,8 bilhões em custeio.
Felipe Prince, vice-presidente de riscos, destacou que a guerra no Oriente Médio elevou custos de insumos como ureia em até 80%, com impacto maior na safra 2026/2027. O El Niño pode afetar chuvas no Sul e seca na Amazônia. Bittencourt disse: "O Brasil não deve enfrentar pressão generalizada de margens. Nosso objetivo é retornar a níveis de inadimplência próximos de 1%".
O diretor financeiro Geovanne Tobias suspeita de recuperação em "W", com oscilações. A presidente Tarciana Medeiros enfatizou foco na qualidade do crédito: "Não é só volume, é crescer com prudência". No consignado privado, o banco visa 20% de mercado, ante 13% atual.