O governo brasileiro assumiu, neste domingo, a representação dos interesses diplomáticos do México no Peru, após o rompimento de relações entre os dois países. A medida inclui a guarda da embaixada mexicana, residência e arquivos, atendendo a pedido do México com anuência do Peru. Isso ocorre sob os termos da Convenção de Viena de 1961.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil anunciou que, em 25 de janeiro de 2026, assumiu a custódia dos interesses diplomáticos mexicanos no Peru. Essa ação abrange a proteção dos locais da embaixada em Lima, a residência do chefe de missão, além de bens e arquivos diplomáticos. A iniciativa atende a uma solicitação do governo mexicano e conta com a aprovação das autoridades peruanas, conforme previsto no artigo 45 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961, que permite a um terceiro país assumir tais responsabilidades em caso de ruptura diplomática.
O rompimento entre Peru e México ocorreu em novembro de 2024, motivado pela concessão de asilo político pela México à ex-primeira-ministra peruana Betssy Chávez. Ela enfrenta processo por envolvimento na tentativa de golpe de Estado em dezembro de 2022, liderada pelo então presidente Pedro Castillo. O presidente peruano José Jerí declarou no X que a encarregada de negócios mexicana, Karla Ornela, deveria deixar o país. Em resposta, o México qualificou a medida como "excessiva e desproporcional", defendendo o asilo como ato legítimo e alinhado ao direito internacional.
Essa tradição mexicana de proteger perseguidos políticos inclui casos como o asilo ao ex-presidente boliviano Evo Morales e ao ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas. As tensões entre os países escalaram desde a destituição de Castillo em dezembro de 2022, quando o então presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador concedeu asilo à esposa e filhos do ex-líder peruano. Desde então, o México não reconhece autoridades peruanas, levando à retirada mútua de embaixadores, embora o comércio bilateral persista.
Essa não é a primeira vez que o Brasil atua como intermediário. Em agosto de 2024, o governo Lula assumiu a representação do Peru e da Argentina na Venezuela, em meio a crises regionais. O presidente argentino Javier Milei agradeceu publicamente: "Agradeço imensamente a disposição do Brasil em assumir a custódia da embaixada argentina na Venezuela. Os laços de amizade que unem a Argentina ao Brasil são muito fortes e históricos." No entanto, em 8 de janeiro de 2026, o Brasil comunicou à Argentina e à Venezuela que deixaria essas funções, após discussões internas no Itamaraty e com aval de Lula, coincidindo com a queda do regime de Nicolás Maduro.