Um novo relatório do C40 destaca estudos de caso de todo o mundo que mostram como as cidades podem atrair financiamento privado para projetos de resiliência climática. Divulgado durante as reuniões de primavera do Banco Mundial, o documento argumenta que o investimento privado é essencial para suprir as enormes lacunas de financiamento para a adaptação urbana. Os exemplos incluem melhorias na barreira marítima de Afsluitdijk, na Holanda, e projetos inovadores em Kuala Lumpur e Washington DC.
Cidades ao redor do mundo enfrentam custos crescentes para se protegerem contra riscos climáticos como a elevação do nível do mar e eventos meteorológicos extremos, que podem totalizar entre 256 bilhões e 821 bilhões de dólares até 2050 apenas para países de renda baixa e média. Atualmente, apenas cerca de 1% do financiamento climático apoia esforços de adaptação urbana. O C40, uma rede que representa as principais cidades, lançou um relatório com 10 estudos de caso para demonstrar modelos viáveis de financiamento privado. O Afsluitdijk, um dique de 32 quilômetros na Holanda construído em 1932, passou por melhorias por meio de um contrato de 25 anos com um consórcio de empreiteiros, distribuindo os pagamentos ao longo do tempo sem despesas públicas iniciais. O projeto está concluído e continua a servir como uma defesa fundamental contra a subida do nível do mar. O trabalho terminou e a barreira marítima permanece eficaz contra o avanço da água, conforme observado no relatório. Outros exemplos incluem um projeto de recuperação de águas residuais em São Paulo, seguro de recifes de coral no México, pagamentos baseados em desempenho em Washington DC e um sistema de drenagem pluvial combinado com uma estrada pedagiada em Kuala Lumpur, na Malásia. Barbara Barros, chefe global de finanças para adaptação do C40 e uma das autoras do relatório, afirmou: “A ideia deste relatório é realmente melhorar o diálogo e trazer provas de conceito para que possamos trabalhar com as cidades para alavancar mais dessas oportunidades”. Ela enfatizou que a adaptação difere da mitigação e requer capital privado para ser ampliada. Dan Zarrilli, ex-diretor de resiliência da cidade de Nova York, elogiou os estudos de caso por fornecerem opções replicáveis. “Os projetos precisam ser bancáveis”, disse ele, observando o desafio de vender a prevenção de danos futuros para investidores. Dakota Fisher, do NRDC, destacou os desafios nos EUA, com o financiamento federal diminuindo sob o governo do presidente Trump, empurrando municípios menores para um financiamento criativo. Especialistas alertam que o envolvimento privado deve priorizar a equidade, a qualidade e as salvaguardas. Debbie Hillier, da Zurich Climate Resilience Alliance, alertou: “Existe definitivamente espaço para isso. Mas o que não queremos é assumir que o setor privado pode fazer tudo”. Barros acrescentou que projetos bem-sucedidos dependem do compartilhamento de custos e riscos e de fortes proteções sociais.